Daniella projeta dez anos de Flávio e Tarcísio para “consertar” o Brasil
Cotada para comandar a Fazenda, ex-presidente da Caixa evita confirmar cargo e desenha uma sucessão da direita no Planalto
Responsável pela formulação do programa econômico de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques já projeta uma sequência de dez anos da direita no Palácio do Planalto para, nas palavras dela, “consertar o Brasil”.
Em entrevista ao podcast Café com Ferri, a ex-presidente da Caixa resumiu o projeto político em “cinco anos de Flávio e cinco anos de Tarcísio”, numa referência ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
A declaração chama atenção por desenhar, antes mesmo da eleição, não apenas um eventual governo de Flávio, mas também a sucessão presidencial. Tarcísio disputa a reeleição em São Paulo e é tratado como um dos principais nomes da direita para futuras eleições nacionais.
Questionada diretamente se aceitaria comandar o Ministério da Fazenda, Daniella evitou confirmar ou descartar a possibilidade. A economista afirmou que a discussão sobre cargos não é o foco neste momento e procurou vincular sua participação à construção de um projeto político mais amplo.
A posição mantém a ambiguidade adotada pela ex-presidente da Caixa nas últimas semanas. Em entrevista anterior à VEJA, ao ser perguntada se era candidata à Fazenda, Daniella respondeu: “Nunca falamos sobre cargos. Estamos preocupados em ser bem-sucedidos com o projeto dele”.
Na prática, Daniella já atua como principal porta-voz econômica de Flávio. Além de coordenar a elaboração das propostas, acompanha o senador em encontros com empresários e defende medidas como redução de ministérios, revisão de despesas, aproveitamento de ativos da União e mudanças na implementação da reforma tributária.
A menção aos dois períodos de cinco anos também pressupõe uma alteração constitucional. Atualmente, o mandato presidencial é de quatro anos, com possibilidade de uma reeleição. Uma proposta para ampliar os mandatos para cinco anos e acabar com a reeleição ainda depende de aprovação do Congresso.







