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Cúpula da Americanas vendeu R$ 288 mi em ações, antes de fraude vir à tona

Envolvidos nas fraudes se anteciparam à troca de CEO e venderam ações da Americanas, antes que fraude fosse descoberta

Por Márcio Juliboni Atualizado em 27 jun 2024, 19h11 - Publicado em 27 jun 2024, 18h27

A informação de que Miguel Gutierrez seria substituído por Sérgio Rial na cadeira de CEO da Americanas causou uma corrida dos diretores envolvidos nas fraudes contábeis para vender suas ações. Pelo menos, onze executivos embolsaram um total de 288,3 milhões de reais com a venda de seus papéis entre agosto de 2022, quando a notícia começou a circular na cúpula da companhia, e janeiro de 2023, quando Rial tomou posse.

Segundo o Ministério Público Federal, a razão era o temor de que a maquiagem nas contas da varejista fosse descoberta e implodisse o valor das ações. Como muitos dos envolvidos também eram acionistas, aproveitaram-se da informação privilegiada para abandonar o barco, antes que o valor de mercado da Americanas derretesse.

As maiores vendas foram feitas pelo próprio CEO demissionário. Segundo relatado na decisão judicial que autorizou a realização, nesta quinta-feira, 27, de operações de busca, apreensão e prisão preventiva de envolvidos no esquema, Gutierrez embolsou sozinho 171,8 milhões de reais, ao se desfazer de suas ações. Residindo na Espanha há um ano, Gutierrez é considerado foragido pela Polícia Federal.

Anna Saicalli, ex-presidente da B2W, a plataforma de e-commerce da Americanas, também ganhou um bom dinheiro, antecipando-se à descoberta das fraudes: 59,6 milhões de reais, de acordo com a decisão judicial divulgada hoje. Saicali teria viajado para Portugal no último dia 15 com um visto de trabalho e também é considerada foragida pela PF.

A lista de executivos que teriam se beneficiado com a informação privilegiada da troca de comando na empresa e que, preocupados com a provável descoberta das fraudes, venderam ações para evitar prejuízos é composta por:

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Miguel Gutierrez: 171,8 milhões de reais
Anna Saicalli: 59,6 milhões de reais
José Thimóteo: 20,7 milhões de reais
Murilo Correa: 7,8 milhões de reais
Fábio Abrate: 6,4 milhões de reais
Márcio Cruz: 6,3 milhões de reais
Raoni Lapage: 5,4 milhões de reais
Carlos Eduardo Padilha: 4,5 milhões de reais
João Guerra Duarte: 3,8 milhões de reais
Jean Pierre Lessa: 1,2 milhão de reais
Maria Christina Ferreira: 800 mil reais

Ao se antecipar à provável denúncia das fraudes pela diretoria que assumiria a empresa, os envolvidos evitaram fortes prejuízos pessoais. Para se ter uma ideia, a ação ordinária da Americanas (AMER3) fechou cotada a 12 reais em 11 de janeiro de 2023. Naquela noite, a varejista divulgou o bombástico fato relevante, informando a existência de “inconsistências contábeis” que, numa primeira avaliação, somavam cerca de 20 bilhões de reais.

O mesmo comunicado informou que Sergio Rial renunciava ao cargo de CEO, apenas dez dias após a sua posse. Como era de esperar, as ações da companhia derreteram na bolsa no pregão seguinte. Em 12 de janeiro, fecharam valendo apenas 2,72 reais – um tombo de 77%. A desvalorização continuou nos pregões seguintes, e o papel fechou 31 de janeiro valendo apenas 1,75 real, equivalente a um mergulho de 85% sobre 11 de janeiro, quando tudo começou a ruir para os envolvidos nas fraudes.

A crise criada pela revelação das fraudes culminou no pedido de recuperação judicial da companhia em 19 de janeiro do ano passado.

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