Crise da Flybondi deixa governo de Alagoas na mão
Estado anunciou 24 voos da Argentina para o verão de 2027, mas companhia foi impedida pela Anac de vender passagens para Maceió
A crise operacional da Flybondi atingiu em cheio uma das apostas do governo de Alagoas para a próxima alta temporada. Menos de dois meses depois de o Estado anunciar uma parceria para trazer 24 voos da Argentina a Maceió, a companhia foi proibida pela Agência Nacional de Aviação Civil de vender passagens para a capital alagoana e de cadastrar novas operações no país.
O plano havia sido apresentado pelo governo como uma conquista para o turismo local. Entre janeiro e fevereiro de 2027, a Flybondi faria oito voos de Rosário e 16 de Córdoba, em parceria com a operadora Ola. Seriam mais de 4,4 mil assentos destinados a turistas argentinos, principal público internacional de Alagoas.
A programação ficou agora condicionada à recuperação da companhia e à retirada da medida cautelar. Embora os voos sejam fretados pela operadora, a Flybondi é responsável pelo transporte e está impedida de incluir novos destinos, frequências ou operações no Brasil enquanto a restrição estiver em vigor.
A Anac decidiu intervir depois que a aérea cancelou 79% dos voos registrados no país entre 1º e 27 de julho. A fiscalização também identificou redução contínua das operações, diferenças entre a malha informada e os voos realizados e aumento das reclamações sobre reembolsos, alterações e falta de assistência aos passageiros.
A medida não cancela definitivamente os fretamentos previstos para 2027 e poderá ser revogada se a Flybondi demonstrar capacidade para regularizar os serviços. Por ora, porém, impede que o projeto anunciado por Alagoas avance normalmente e lança incerteza sobre a chegada dos 4,4 mil turistas esperados pelo Estado.
A situação é especialmente incômoda porque o governo vinha apresentando a Flybondi como símbolo de sua estratégia de expansão internacional. A parceria começou com fretamentos, avançou para voos regulares entre Buenos Aires e Maceió e seria ampliada no próximo verão. Agora, Alagoas terá de aguardar uma reação da companhia — ou procurar outra aérea para não deixar a programação no chão.







