Credores da 2W poderão escolher entre ações ou receber em 33 anos
Decisão reabre prazo para escolha e ocorre enquanto controlada do grupo enfrenta impasse com a CCEE
A Justiça de São Paulo reabriu por 20 dias úteis o prazo para que os credores da 2W escolham como pretendem receber. As alternativas incluem converter a dívida em ações ou aguardar pagamentos em dinheiro por prazos de 30 ou 33 anos.
Na opção mais longa, os credores preservam suas garantias. Na alternativa de 30 anos, precisam liberá-las. Quem permanecesse em silêncio poderia ter seu crédito automaticamente convertido em participação na empresa.
O juiz considerou ilegal a cláusula que restringia o acesso à modalidade de 33 anos. Segundo a decisão, os credores não tiveram condições iguais de escolha e a 2W não poderia manter os efeitos econômicos de uma regra considerada inválida.
A mudança pode alterar a estrutura financeira e societária da companhia. Se mais credores optarem pelo pagamento de longo prazo, menos dívidas serão transformadas em ações. Isso reduz a diluição dos atuais acionistas, mas mantém obrigações e garantias no balanço por décadas.
A discussão ocorre enquanto outra frente ameaça a operação. A CCEE exigiu uma certidão negativa de recuperação judicial da 2W Ecobank para manter a habilitação de uma comercializadora controlada pelo grupo. O documento não pode ser emitido porque a controladora está em recuperação.
A 2W pediu à Justiça que afaste a exigência. A administradora judicial apoiou o pedido, mas a CCEE argumentou que apenas a Aneel poderia flexibilizar a regra. O caso foi encaminhado ao Ministério Público e ainda aguarda decisão.
O impasse expõe o principal risco do plano: a 2W conseguiu empurrar parte dos pagamentos por até 33 anos, mas ainda precisa garantir que sua operação de comercialização de energia continue habilitada para gerar o caixa prometido aos credores.







