Credores tentam dividir reestruturação da Braskem nos EUA
Fundos contestam inclusão de braço financeiro no Chapter 15 e defendem recuperação judicial americana separada
Uma ofensiva de credores na Justiça de Nova York ameaça dividir a reestruturação global da Braskem. Os fundos FFI, FYI e Olifant, da Bracebridge Capital, detentores de títulos emitidos pela Braskem America Finance, preparam-se para contestar a inclusão do veículo americano no Chapter 15, processo pelo qual a companhia tenta fazer valer nos Estados Unidos a proteção obtida no Brasil.
Os credores sustentam que a financeira não tem seu centro de interesses no Brasil. Constituída em Delaware, ela funciona na sede de sua controladora americana, possui conselho próprio, emitiu dívida regida pela lei de Nova York e tem como principais ativos créditos contra a Braskem America, operação considerada solvente e que não participa da mediação brasileira. Como o reconhecimento no Chapter 15 é analisado empresa por empresa, o juiz pode manter a proteção para o restante do grupo e recusá-la apenas ao veículo.
A disputa envolve ativos estimados em aproximadamente R$ 2,9 bilhões. No pedido original, a Braskem afirmou que a financeira não possuía ativos próprios. Após a reação dos fundos, corrigiu a petição e admitiu a existência de créditos entre empresas do grupo, além de reconhecer que o dinheiro usado no pagamento dos juros dos títulos vinha diretamente da operação americana.
Os fundos já conseguiram impedir que esses créditos sejam transferidos, alterados ou comprometidos sem autorização da Justiça dos Estados Unidos. O balanço de 2025 mostra R$ 3,21 bilhões em títulos emitidos pelo veículo e patrimônio líquido negativo de R$ 307 milhões, números que permitem estimar seus ativos em torno de R$ 2,9 bilhões.
Se a tese dos credores prosperar, a Braskem America Finance poderá ser levada a um Chapter 11 próprio — o equivalente americano a uma recuperação judicial — enquanto o restante do grupo segue sob a solução brasileira. Os fundos já reservaram expressamente o direito de defender esse caminho. A Braskem, por sua vez, sustenta que as empresas formam um grupo econômico e operacional integrado, com centro no Brasil.







