Consórcio vira crédito de expansão e Friggi & Secco mira o agro
Com crédito bancário caro e seletivo, corretora vê produtores rurais e construtoras usando consórcio como ferramenta de planejamento financeiro
O consórcio começa a deixar para trás a imagem de produto usado apenas para compra planejada de carro ou imóvel. Em meio ao crédito bancário mais caro e seletivo, empresas, produtores rurais e construtoras têm recorrido à modalidade como alternativa para financiar expansão, obras e capital produtivo sem comprometer tanto o caixa.
O movimento aparece nos números do setor. Em 2025, o Sistema de Consórcios movimentou R$ 500,27 bilhões em créditos comercializados, alta de 32,1% sobre o ano anterior. A tração continuou em 2026: entre janeiro e abril, foram R$ 179,41 bilhões em créditos cedidos, avanço de 27,1%, com 1,87 milhão de adesões.
É nesse ambiente que a Friggi & Secco, corretora de crédito, afirma ter alcançado R$ 14,1 bilhões em crédito cedido e viabilizado ao longo de sua trajetória. Só em 2026, as operações saltaram de cerca de R$ 500 milhões, no mesmo período do ano anterior, para R$ 2,5 bilhões.
O avanço foi puxado por consórcios estruturados, crédito rural, construção civil, home equity e operações com garantia real. Apenas entre janeiro e maio, o volume consolidado em consórcios chegou a R$ 2,123 bilhões, acima de todo o ano-base de 2025, quando somou R$ 1,122 bilhão.
“O crescimento mostra que o cliente não está buscando crédito apenas para cobrir uma necessidade imediata. Ele quer entender como acessar capital sem travar o caixa, sem assumir uma estrutura incompatível com o prazo do projeto e sem depender exclusivamente do modelo bancário tradicional”, afirma Alberto Friggi, sócio da Friggi & Secco.
O principal salto veio do agro. A vertical rural da corretora passou de R$ 289,5 milhões em 2025 para R$ 1,448 bilhão apenas entre janeiro e maio de 2026. Segundo a empresa, a demanda cresceu porque fazendas, obras e expansões empresariais exigem crédito compatível com ciclos longos de retorno.
“O problema de muitas operações não é a falta de crédito, mas a falta de desenho financeiro. Uma fazenda, uma obra ou uma expansão empresarial têm ciclos diferentes de retorno. Se o dinheiro entra no prazo errado, com custo errado ou sem acompanhamento, o crédito pode virar pressão, e não solução”, diz Friggi.
Na construção civil, a corretora afirma atuar em operações nas quais o recurso é organizado conforme a evolução da obra, para reduzir o risco de o cliente iniciar um projeto e ficar sem caixa antes da conclusão.
Para 2026, a Friggi & Secco projeta superar R$ 6 bilhões em operações, caso o ritmo atual seja mantido. A aposta é que o consórcio ganhe espaço não apenas como instrumento de compra futura, mas como ferramenta de planejamento financeiro para projetos de maior porte.







