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Condução errática de Erdogan na economia turca é alerta para o Brasil

Inflação, perda de valor da moeda local e intervenção nos rumos da economia: o presidente turco como caso de estudo

Por Felipe Mendes Atualizado em 4 jan 2022, 11h56 - Publicado em 4 jan 2022, 11h55

Inimigo mortal dos juros altos, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, tem muito a ensinar ao Brasil. Sua condução errática e estapafúrdia na economia apresenta tudo o que não deve ser adotado por uma nação emergente. De olho apenas nas exportações, Erdogan bateu palmas para o descontrole da lira turca perante a outras moedas no mundo. O desastre foi completo. Em 2021, a lira declinou mais de 40% frente ao dólar, o que fez acender um outro problema: a inflação, que atingiu avanço de 36,08% no último ano, segundo dados divulgados em dezembro — a maior para o país desde 2002.

Em situações de descontrole cambial e inflacionário é comum que países emergentes aumentem a taxa básica de juros. Erdogan, no entanto, foi na direção oposta. Segundo ele, inflação alta é boa para a balança fiscal do país. Ai de quem discorde. Em março de 2021, dois dias após o banco central turco aumentar a taxa de juros de 17% para 19% ao ano, Erdogan defenestrou o presidente do órgão, Naci Agbal, da cadeira. Depois disso, as reuniões do órgão são para atender as vontades do presidente do país, com o indicador caindo paulatinamente a cada anúncio. Hoje, a taxa de juros na Turquia figura em 14% ao ano. Mais recentemente, em dezembro, Erdogan usou sua mão forte para derrubar dois vice-ministros das Finanças do país: Sakir Ercan Gul e Mehmet Hamdi Yildirim.

Com o descontrole total, os mais pobres não têm o que comer e o país vive uma crise de desabastecimento. Os próprios empresários, muitos deles que se aproveitam das exportações, reclamam da perda de poder de consumo dos turcos e da disparada nos preços das matérias-primas. Não menos importante, a situação fiscal da Turquia tem estimulado a circulação de dólares pela população. Para os brasileiros, fica de aprendizagem entender a importância da economia para a escolha do próximo presidente. Que este não venha a ser intervencionista nem transforme o país em um “laboratório de ideias malucas”, como Erdogan é lembrado na Turquia.

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