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Ciência busca escapar do teto enquanto Durigan promete apertá-lo

Estratégia aprovada pelo MCTI propõe blindar recursos contra bloqueios

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 29 jul 2026, 12h14
Ciência busca escapar do teto enquanto Durigan promete apertá-lo Priorizar nos meus resultados Google

Enquanto o Ministério da Fazenda estuda reduzir o ritmo de crescimento das despesas públicas, outra ala do governo prepara uma porta de saída do arcabouço fiscal. A nova estratégia nacional para ciência e tecnologia recomenda transformar esses gastos em “investimentos de capital estratégico”, protegidos de bloqueios, contenções e interrupções.

A proposta consta da versão final da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação 2024–2034, aprovada pelo MCTI. O documento dá forma técnica à defesa feita por Lula de que pesquisa e inteligência artificial tenham financiamento permanente e não fiquem submetidas às restrições fiscais convencionais.

A classificação, sozinha, não retira qualquer gasto do teto. Para produzir esse efeito, o governo precisaria alterar a legislação do arcabouço e definir quais despesas seriam beneficiadas: bolsas, laboratórios, universidades, projetos empresariais ou todo o orçamento de ciência e tecnologia. A estratégia também não informa se a proteção valeria apenas contra bloqueios ou alcançaria o limite de despesas e a meta de resultado primário.

O detalhamento ficará a cargo de um grupo criado pelo MCTI para elaborar o PACTI 2027–2031. A equipe tem prazo de 120 dias e inclui 13 especialistas, entre eles Francilene Garcia, a quem Lula pediu propostas para seu programa eleitoral. Fazenda e Planejamento, porém, não têm representantes formais no grupo.

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A ausência ganha peso porque o secretário-executivo da Fazenda, Dário Durigan, discute reduzir de 2,5% para algo entre 1,5% e 2% o crescimento real máximo das despesas. Pelas projeções oficiais, a mudança economizaria entre R$ 12 bilhões e R$ 25 bilhões já em 2027. A blindagem pretendida para a ciência ainda não tem custo estimado.

Parte desses recursos já circula fora do teto. Empréstimos do FNDCT operados pela Finep são classificados como operações financeiras. A nova proposta parece mirar justamente o que continua sujeito ao Orçamento: bolsas, pesquisa básica, laboratórios e repasses não reembolsáveis.

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O governo já abriu uma exceção semelhante para a Defesa, autorizada a gastar até R$ 5 bilhões anuais fora do teto e da meta fiscal até 2031. Agora, a discussão sobre ciência testará o tamanho do aperto prometido pela Fazenda: o novo teto poderá crescer menos, mas também poderá cobrir uma parcela menor das despesas públicas.

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