Cade vê falha em compradora da Nutrella e mantém leilão no radar
Área técnica afirma que empresa não comprovou capacidade para assumir a marca; certame está marcado para 17 de julho
A tentativa da Bimbo de evitar o leilão da Nutrella sofreu um revés na área técnica do Cade. Em nota técnica assinada na noite de segunda-feira, a Superintendência-Geral do órgão concluiu que a companhia não comprovou que a potencial compradora indicada para a marca atende aos requisitos previstos no acordo que permitiu a aprovação da compra da Wickbold.
Na prática, a manifestação mantém de pé, por ora, o leilão aberto da Nutrella, marcado para 17 de julho. A palavra final ainda caberá ao Tribunal do Cade, mas a recomendação técnica é dura: a Bimbo não demonstrou que a candidata tem capacidade produtiva, logística, operacional e financeira para assumir a marca e competir de forma efetiva no mercado de pães industrializados.
A venda da Nutrella é uma das principais condições impostas pelo Cade para aprovar a aquisição da Wickbold pela Bimbo. O remédio foi desenhado para evitar que a operação reduzisse a rivalidade em categorias sensíveis do setor. Por isso, o comprador da marca precisa provar que tem musculatura para manter e desenvolver a Nutrella como concorrente da própria Bimbo.
A Bimbo apresentou uma nova potencial compradora em junho, dentro do prazo previsto no acordo. Esse movimento poderia dispensar o leilão, caso o Cade aprovasse o nome. A SG, no entanto, entendeu que os elementos enviados pela companhia não permitem essa conclusão.
O parecer afirma que a Bimbo não comprovou que a candidata atende aos requisitos centrais do acordo, entre eles presença relevante nos mercados e regiões definidos pelo Cade, capacidade disponível para absorver a operação e condições financeiras e gerenciais para desenvolver a marca.
A área técnica também reforçou que a flexibilização dos critérios para escolha do comprador não deve ser tratada como um atalho automático. Para a SG, a prioridade do acordo é encontrar um comprador capaz de preservar a rivalidade no mercado de pães industrializados. A regra alternativa só deveria ser considerada de forma subsidiária, se não houver uma solução aderente aos critérios originais.
No documento, a SG deixa aberta a possibilidade de a Bimbo apresentar documentação complementar. Mas, com o material disponível até agora, a conclusão é que não houve comprovação suficiente para aprovar a compradora indicada.
O recado é claro: para o Cade, não basta tirar a Nutrella do balanço da Bimbo. A marca precisa ir para um comprador capaz de preservar a concorrência que justificou o remédio imposto na operação Bimbo-Wickbold. Até nova decisão do Tribunal, o leilão continua sendo o caminho mais provável.







