Busca por nicotina oral dispara 1.200% em meio a vácuo regulatório
Levantamento mostra avanço do interesse por sachês, snus e pouches enquanto Anvisa avalia a criação de regras para produtos que já circulam clandestinamente
As buscas de brasileiros por sachês de nicotina, snus, pouches e termos semelhantes cresceram cerca de 1.200% nos últimos 12 meses, segundo levantamento feito no Google Trends. Entre os estados com maior aceleração aparecem Santa Catarina, com alta de 610%, São Paulo, com 580%, Rio Grande do Sul, com 530%, e Rio de Janeiro, com 480%.
O interesse crescente contrasta com a ausência de regras específicas para a categoria no Brasil. Em 29 de junho, a Anvisa encerrou o recebimento de contribuições destinadas a subsidiar uma possível Análise de Impacto Regulatório sobre os novos produtos de nicotina oral.
Estudo da Esem-USP em parceria com a Ipsos estima que pelo menos 10 milhões de brasileiros consumam frequentemente produtos alternativos comercializados ilegalmente no país. Sem regulamentação, a demanda acaba abastecida pelo mercado clandestino, sem controle sobre procedência, composição ou concentração de nicotina.
Defensores da redução de danos apontam a Suécia como referência. Após incorporar produtos de nicotina oral à sua estratégia contra o tabagismo, o país reduziu a proporção de fumantes diários para 3,7%, abaixo do patamar de 5% usado como referência internacional para uma sociedade “livre do fumo”.






