Briga de Lula com emendas terá primeiro teste de R$ 12,5 bilhões
Valor corresponde à reserva estimada para emendas de comissão no Orçamento de 2027, parcela que o governo pode tentar limitar sem alterar a Constituição
A promessa de Luiz Inácio Lula da Silva de comprar uma briga com o atual modelo de emendas parlamentares terá seu primeiro teste ainda em agosto, bem antes de um eventual quarto mandato.
O PLDO de 2027 enviado pelo Executivo permite a inclusão de uma reserva estimada em R$ 12,55 bilhões para emendas de comissão. Diferentemente das emendas individuais e de bancadas estaduais, essa parcela não é constitucionalmente obrigatória e pode ser limitada durante a elaboração do Orçamento.
Ao todo, as consultorias legislativas calculam que as emendas poderão consumir R$ 56,97 bilhões no próximo ano — R$ 44,42 bilhões em despesas impositivas e os R$ 12,55 bilhões destinados às comissões. O montante equivale a aproximadamente 21% de toda a despesa discricionária submetida ao limite de gastos.
Se quiser atingir a parcela obrigatória, Lula precisará aprovar uma PEC no Congresso. Mas o governo pode começar a demonstrar a disposição para o embate retirando ou reduzindo o espaço das comissões no projeto orçamentário que será enviado até 31 de agosto.
O teste também alcançará o programa eleitoral de Lula, que deve ser apresentado no registro da candidatura até o dia 15. O manifesto aprovado pelo PT promete “alterar o atual modelo de execução orçamentária”, mas não informa quais emendas seriam atingidas nem quanto o partido pretende devolver ao controle do Executivo.
A indefinição contrasta com a atuação recente do próprio PT. A bancada apoiou a LDO de 2026, que obrigou o governo a pagar 65% das emendas impositivas no primeiro semestre eleitoral. Agora, Lula terá de mostrar no Orçamento se a declaração de guerra terá consequência financeira — ou se permanecerá restrita ao palanque.







