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Radar Econômico Por Josette Goulart Análises e bastidores exclusivos sobre o mundo dos negócios e das finanças. Com Diego Gimenes.

Banco Central já joga culpa de inflação maior para o novo teto do governo

Copom aumentou em 1,5 ponto percentual os juros básicos, deixando para trás o ritmo de 1 ponto, por conta do teto

Por Josette Goulart 27 out 2021, 20h21

O governo federal nem conseguiu ainda aprovar a mudança de teto de gastos para ter dinheiro para aumentar o Orçamento para emendas parlamentares  e o Auxílio Brasil de 400 reais e o Banco Central já joga a culpa da aceleração do aumento dos juros na discussão do teto. Lá pelas tantas, em seu comunicado que justifica o aumento dos juros básicos em 1,5 ponto percentual, e não mais 1 ponto como tinha planejado anteriormente, os diretores do Banco Central dizem que apesar do desempenho mais positivo das contas públicas, os “recentes questionamentos em relação ao arcabouço fiscal elevaram o risco de desancoragem das expectativas de inflação, aumentando a assimetria altista no balanço de riscos. Isso implica maior probabilidade de trajetórias para inflação acima do projetado de acordo com o cenário básico.” Traduzindo: a discussão do teto de gastos mudou o risco Brasil, mudou o dólar e aumentou a expectativa de inflação. E assim o juro tem que subir mais do que se esperava. Além de subir agora em 1,5 ponto, o BC já avisou que vai deve repetir a dose na próxima reunião. 

Mas alguns economistas, como Júlia Braga, da Universidade Federal Fluminense, lembram que o BC não devia se eximir da culpa pelo não cumprimento da meta de inflação neste ano, já que demorou a subir os juros mesmo depois do salto de inflação verificado em março deste ano e que seguiu subindo desde então. Avaliou mal o choque de custos do petróleo e da crise hídrica e o ritmo dos juros. 


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