Ambipar põe R$ 1,2 bilhão em créditos na mesa para amarrar apoio ao plano
Acordo reserva US$ 25 milhões ao comitê que negociou a reestruturação e entrega o valor excedente da venda dos ativos aos bondholders que aderirem dentro do prazo
A Ambipar colocou uma carteira de créditos judiciais com valor de face de R$ 1,2 bilhão no centro da negociação para aprovar seu plano de recuperação judicial. O acordo firmado com detentores de títulos no exterior reserva pagamentos e todo o eventual excedente da venda desses ativos aos bondholders que se comprometerem a apoiar a reestruturação.
A engenharia identificada pelo Radar Econômico vai além dos US$ 50 milhões inicialmente destacados no acordo. Os primeiros US$ 25 milhões serão pagos exclusivamente aos integrantes do comitê que negociou com a Ambipar. Outros US$ 25 milhões serão divididos entre os detentores de bonds que aderirem ao compromisso de apoio ao plano.
Se a venda dos chamados pré-precatórios render mais de US$ 50 milhões líquidos, todo o excedente também ficará com os bondholders aderentes. Na prática, o acordo dá a esse grupo prioridade econômica sobre uma carteira contabilizada pela Ambipar por R$ 1,219 bilhão.
Em contrapartida, os credores que assinarem o acordo ficam obrigados a votar a favor do plano. A companhia já obteve o compromisso de investidores que representam 53,8% dos US$ 1,043 bilhão em green bonds, mas tenta ampliar a adesão antes da assembleia de credores.
A primeira convocação está marcada para 25 de agosto. Se não houver quórum, a votação ocorrerá em 1º de setembro. A proteção judicial contra execuções termina em 19 de setembro, deixando uma janela de apenas 18 dias entre a segunda convocação e o fim do prazo.
A venda dos créditos não precisa ocorrer antes da assembleia. Pelo acordo, a Ambipar terá até 180 dias para pagar a primeira parcela de US$ 25 milhões e até 365 dias para desembolsar a segunda. Caso os ativos sejam vendidos antes, porém, o dinheiro deverá ser repassado aos credores praticamente de imediato.
Os créditos judiciais também carregam um capítulo ainda pouco explicado da crise. A Ambipar mantinha cerca de R$ 700 milhões aplicados em CDBs do Banco Master e trocou esses papéis pelos pré-precatórios antes do agravamento de sua situação financeira e da liquidação do banco, segundo informações divulgadas pelo Broadcast.
A companhia não informou quais processos deram origem aos créditos, quanto pagou por eles, quem realizou a cessão nem por qual valor poderiam ser vendidos. A cifra de R$ 1,2 bilhão representa o valor de face da carteira e não necessariamente o dinheiro que a Ambipar conseguirá levantar. O tamanho do desconto será decisivo para saber quanto os bondholders receberão pelo apoio ao plano.







