A saidinha de luxo de Sidnei Piva, da Itapemirim
Empresário, que não está preso, recuperou provisoriamente o passaporte retido pela Justiça para passar duas semanas na Croácia
Menos de dois meses depois de o Tribunal de Justiça de São Paulo restabelecer a retenção de seu passaporte e proibi-lo de deixar o país sem autorização, Sidnei Piva ganhou uma trégua. O ex-controlador da Itapemirim teve o documento devolvido provisoriamente para comemorar 25 anos de casamento na Croácia. O período autorizado é “certo e improrrogável”: de 5 a 19 de agosto.
O roteiro passa longe do sacrifício. Piva embarca pela Lufthansa, passa por hotéis cinco estrelas em Dubrovnik, Split e Zadar e ficará sete noites no Ave Maria, embarcação classificada como “deluxe superior”, com apenas 38 passageiros, jacuzzi e cabines de até 18 metros quadrados.
Viagens semelhantes no mesmo navio são anunciadas a partir de 2.800 euros por pessoa. São cerca de 33.000 reais para o casal, ao câmbio atual, somente pelo cruzeiro — sem contar passagens e hotéis.
O Ministério Público foi contrário à viagem, alegando risco de fuga e destacando que a Croácia não possui tratado de extradição com o Brasil. A Justiça considerou que as passagens de volta e as reservas em hotéis reduzem esse risco. No retorno, Piva deverá entregar novamente o passaporte, sob pena de prisão preventiva.
O empresário responde por estelionato, crime contra as relações de consumo e frustração de direitos trabalhistas no caso da ITA, aérea que parou abruptamente de voar em dezembro de 2021. A acusação menciona uma dívida de 15,1 milhões de reais com a empresa de serviços aeroportuários Orbital, 342 trabalhadores prejudicados e 5.670 passageiros atingidos apenas no dia do colapso. Piva ainda não foi condenado.







