A notícia dos EUA que derrubou a bolsa e afugentou os investidores
VEJA Mercado: ativos ficam sem rumo após ata do Fed dar a entender que juros americanos devem subir antes do previsto
VEJA Mercado | Fechamento | 5 de janeiro.
Os investidores ainda não tiveram um dia de paz em 2022 na bolsa de valores. Os três primeiro pregões do ano fecharam no negativo, e a queda desta quarta-feira foi a mais vertiginosa delas. O Ibovespa recuou 2,42%, a 101.005 pontos. O índice já negociava em baixa ao longo do dia e acentuou o movimento de queda após a divulgação da ata da reunião de dezembro do conselho do Federal Reserve Bank (Fed), o banco central americano, que apontou um descontentamento muito grande com a inflação no país. A ata fez crescerem as apostas de que a taxa básica de juros suba antes de junho, como estava previsto inicialmente. Os futuros dos Fed Funds mostram uma probabilidade de 70% da autoridade monetária elevar os juros até a reunião de março, de acordo com dados do CME Group.
A subida na curva de juros por lá tende a diminuir a atratividade das bolsas mundo afora, sobretudo a de países emergentes, como o Brasil. Além do Ibovespa, o Nasdaq e o S&P 500, índices que representam em grande parte as empresas americanas de tecnologia, fecharam em quedas de 3,12% e 1,94%, respectivamente. Por aqui, o dólar subiu 0,39% e voltou a superar patamar dos 5,70 reais, a 5,712 reais.
O dia foi de quedas generalizadas entre os ativos. Assim como lá fora, as companhias mais alavancadas que dependem de crédito para financiar seu crescimento e que, de alguma forma, estão atreladas à tecnologia recuaram expressivamente. Locaweb e Méliuz fecharam em quedas de 12,8% e 9%, nessa ordem. Sobrou até para as petrolíferas. Apesar do brent ter fechado estável, a 80 dólares o barril, empresas como Petrorio e Petrobras viram seus papéis caírem 10,7% e 3,9%, respectivamente. “Quando a liquidação tem início, o mercado começa a ficar sem lógica e perde a racionalidade no movimento de rotação de carteira”, avalia Ubirajara Silva, gestor da Galapagos Capital. Apenas quatro ações fecharam no azul, e três delas são de empresas exportadoras, geralmente beneficiadas pela valorização do dólar. BRF, Vale e Bradespar subiram 1,25%, 0,95% e 0,24%, nessa ordem.
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