A montanha da Viveo está parindo um rato
Aumento de capital da Viveo dilui acionistas, fortalece família Bueno e não garante dinheiro novo
A Viveo anunciou no fim de junho um aumento de capital de até 870 milhões de reais para tentar resolver seu endividamento. Menos de um mês depois, a operação se transformou numa sinuca para a companhia e seus acionistas.
Cada nova ação será emitida por 90 centavos. Na sexta-feira, o papel da Viveo terminou cotado em aproximadamente 57 centavos. Não há razão econômica para o minoritário pagar na subscrição quase 60% a mais por uma ação que pode comprar diretamente na bolsa.
O piso de 427 milhões de reais está garantido pelos fundos administrados pela DNA Capital, da família Bueno, que detêm 37,53% da Viveo. Mas esse dinheiro não entrará no caixa: a subscrição será realizada por meio da conversão de debêntures em ações.
No cenário mínimo, a companhia reduz em cerca de 12,5% sua dívida bruta, mas não recebe recursos novos. Ao mesmo tempo, os acionistas que não acompanharem a operação poderão sofrer diluição de 60%. Se apenas a DNA subscrever o piso, a participação dos fundos administrados pela gestora poderá se aproximar de 75%.
A Viveo já havia convencido os debenturistas a conceder carência do principal até 2029 e alongar os vencimentos até 2034. Agora promove uma operação capaz de concentrar o capital nas mãos da família Bueno, diluir os minoritários e aliviar apenas uma parcela do endividamento — sem resolver o problema de liquidez.
Uma enorme reestruturação financeira para entregar redução de dívida, nenhum dinheiro novo garantido e uma mudança profunda na estrutura acionária. A montanha pariu um rato.







