ASSINE VEJA NEGÓCIOS
Imagem Blog

Radar Econômico

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Análises e bastidores exclusivos sobre o mundo dos negócios e das finanças

A explosiva carta renúncia de Gasparino ao Conselho da Vale

Gasparino admite envio de voto a analista e acusa Vale de punição seletiva

Por Machado da Costa Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 27 jul 2026, 13h00 | Atualizado em 27 jul 2026, 22h16
A explosiva carta renúncia de Gasparino ao Conselho da Vale Priorizar nos meus resultados Google

A carta de renúncia de Marcelo Gasparino ao Conselho de Administração da Vale contém a admissão que faltava na investigação aberta pela mineradora: o conselheiro confirma ter enviado por WhatsApp a um analista sell-side uma minuta de sua manifestação e de seu voto após a divulgação oficial do documento.

Gasparino sustenta, porém, que não transmitiu informação confidencial. Segundo ele, o material era de sua autoria, reunia essencialmente opiniões pessoais e tratava de assuntos que já eram públicos. Argumenta ainda que a manifestação deveria ser divulgada pela Vale aos acionistas, nos termos da regulamentação da CVM, e que o envio não proporcionou vantagem financeira, não provocou prejuízo à companhia nem teve relação com a negociação de ações.

A justificativa não elimina o ponto central da acusação. Mesmo que o conteúdo devesse posteriormente tornar-se público, Gasparino reconhece que antecipou o documento de forma seletiva a um profissional do mercado, fora do procedimento formal de divulgação da companhia. A controvérsia passa a ser, portanto, se a minuta continha informações obtidas em razão do cargo e ainda protegidas pelo dever de sigilo.

A Vale afirmou que uma apuração conduzida por um escritório externo independente confirmou o vazamento de informações confidenciais relacionadas à reunião do conselho de 19 de junho, na qual Gasparino e Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, o Ollie, apresentaram suas candidaturas à presidência do colegiado. Com base no relatório, o conselho afastou Gasparino dos comitês de Indicação e Governança e de Pessoas e Remuneração e decidiu submeter sua destituição aos acionistas.

Continua após a publicidade

Na carta, Gasparino transforma sua defesa em uma acusação contra a governança da mineradora. Afirma que o escritório externo só o procurou na noite de 14 de julho. Como estava em campanha para presidir o conselho, pediu para ser ouvido depois da assembleia do dia 22.

Ele diz que não recebeu o relatório final e que a reunião convocada para analisar sua punição foi marcada com pouco mais de 24 horas de antecedência. Naquele momento, estava em deslocamento aéreo e não conseguiu participar. A decisão foi tomada no mesmo dia em que Ollie o derrotou na eleição para a presidência do conselho.

Continua após a publicidade

O pedido feito pelo próprio Gasparino para adiar seu depoimento enfraquece parte da alegação de que não pôde se defender. Ainda assim, a sequência descrita por ele produz uma imagem desconfortável para a Vale: a investigação levou quase um mês para ouvi-lo, mas a punição foi aprovada horas depois da eleição, com base em um relatório ao qual o acusado afirma não ter tido acesso.

Gasparino acusa a Vale de aplicar suas regras seletivamente. Diz que outras investigações internas e episódios envolvendo administradores teriam recebido tratamento diferente, mas não identifica os casos nem os responsáveis. Também fala em “articulações e eventos secretos” destinados a impedir sua eleição. São acusações graves, deixadas na carta mais como aviso do que como revelação completa.

Continua após a publicidade

Outro trecho tem forte conteúdo político. Gasparino afirma que obteve mais de 50% dos votos quando excluídos os “acionistas de referência, que indicaram o outro candidato”. Sem citar nomes, sugere que Ollie foi escolhido pelo bloco dos grandes investidores da Vale, enquanto sua candidatura teria vencido entre os demais acionistas.

Gasparino também registra que sua saída não foi negociada e que não recebeu qualquer vantagem financeira. É uma forma de marcar distância da renúncia de Daniel Stieler, cercada pela controvérsia sobre a discussão de uma compensação para sua saída da presidência do conselho.

Continua após a publicidade

A carta termina em tom incomum para uma comunicação corporativa. Gasparino recorre ao Tribunal de Nuremberg, fala em perseguição e usa a imagem da garça que atravessa águas pantanosas sem sujar as penas para defender sua trajetória. Ao renunciar aos cargos de conselheiro e vice-presidente com efeito em 1º de agosto, ele deixa o colegiado, mas sinaliza que pretende levar a disputa e as acusações para fora da Vale.

Procurada, a Vale informou que não irá disponibilizar a carta ao mercado.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional com fundo verde-escuro. À esquerda, texto em amarelo e branco: O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. À direita, uma mão segura um smartphone exibindo um portal de notícias com banner e produtos. Ao lado, um ícone de árvore verde-claraMão segurando um smartphone com tela exibindo um aplicativo de notícias e produtos. À esquerda, texto O MÊS É DO CLIENTE. A vantagem de ler as maiores marcas do país é sua. Fundo verde escuro com ícone de árvore à direita
ECONOMIZE ATÉ 87% OFF

Digital Essencial

O mercado não espera — e você também não pode!
Com a Veja Negócios Digital, você tem acesso imediato às tendências, análises, estratégias e bastidores que movem a economia e os grandes negócios.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
OFERTA MÊS DO CLIENTE

Revista em Casa + Digital Premium

Veja Negócios impressa todo mês na sua casa, além de todos os benefícios do plano Digital Premium
De: R$ 29,99/mês
A partir de R$ 9,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).