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Por Trás dos Números Por Renato Meirelles Renato Meirelles é pai da Helena, acredita que a Terra é redonda, está à frente do Instituto Locomotiva e, neste espaço, interpreta os números muito além da planilha Excel

Estupros de menina de 11 anos e da atriz Klara Castanho expõem machismo

Casos são antes de tudo uma discussão sobre direitos e saúde pública

Por Renato Meirelles Atualizado em 30 jun 2022, 17h23 - Publicado em 30 jun 2022, 17h22

O estupro é uma realidade no Brasil: 64% conhecem uma mulher ou menina que já foi vítima. São 122,6 milhões de pessoas. Os recentes casos, da menina de 11 anos de Santa Catarina e da atriz Klara Castanho, em que ambas foram estupradas e tiveram seus direitos – ao aborto e à privacidade – violados, se somam a 16% de mulheres que já relataram ter sido vítimas de estupro. São 14,1 milhões de brasileiras. Não à toa, 95% das brasileiras temem ser vítimas de estupro.

Os números que o Instituto Locomotiva, em parceria com o Instituto Patrícia Galvão, apresenta são preocupantes, mas, saber que 87% da população é favorável à decisão da vítima sobre a interrupção ou não de uma gravidez decorrente de estupro mostra que a parcela que condena o cumprimento da lei é pequena.

E a demanda é para que esse direito seja garantido: para 92% da população toda vítima de estupro que buscar uma delegacia ou serviço de saúde deve ser informada sobre o que é possível fazer para evitar doenças sexualmente transmissíveis e gravidez indesejada.

O que pesa, porém, é que uma parte da população brasileira acredita que algumas mulheres merecem o estupro. Gostaria de saber se também acham que crianças merecem o estupro. Essa parcela da população é, inclusive, chancelada por governantes.

Ao mesmo tempo, temos 73% dizendo que quem defende a proibição do aborto em qualquer circunstância não está pensando no que vai acontecer com a mulher/menina caso seja obrigada a levar a gravidez adiante. A maioria também reconhece que as mulheres, sobretudo as mais pobres, são as principais vítimas da criminalização do aborto. E, assim, a discussão é vista sobretudo como um tema de saúde pública e direitos.

Com os dados acima podemos pensar que a conta não fecha. E a conta não fecha mesmo, assim como em casos de racismo, em que ninguém se diz racista.

O machismo arraigado na sociedade brasileira, que faz com que os homens sejam maioria nas esferas de poder da sociedade brasileira, faz também com que se sintam no direito de avançar o sinal. Para mudar isso, é preciso garantir o cumprimento das leis, ter mais mulheres nos espaços de poder, e investir em uma educação antimachista nas escolas brasileiras. Se não, esse tipo de situação vai continuar existindo. E, neste cenário, não são só as mulheres que perdem, é toda a sociedade brasileira.

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