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Planeta IA

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Inteligência artificial, tecnologia e o que tudo isso muda na sua vida

Tempo gasto com IAs generativas dobrou: chegamos a 36 bilhões de horas

Relatório State of AI, da Sensor Tower, traz estimativa sobre o primeiro semestre de 2026 e mostra ChatGPT com fatia menor (porém ainda líder) do mercado

Por Alvaro Leme 30 jun 2026, 06h00
Tempo gasto com IAs generativas dobrou: chegamos a 36 bilhões de horas Priorizar nos meus resultados Google

Se você sentiu que os modelos de inteligência artificial ganharam mais espaço na sua rotina, não foi apenas impressão. Um levantamento recente estima que, em comparação com primeiro semestre do ano passado, o tempo que as pessoas dedicam às IAs generativas praticamente dobrou nesta primeira metade de 2026: de 17,2 bilhões para 36 bilhões de horas.

O dado vem do relatório State of AI 2026, da Sensor Tower, uma empresa americana de inteligência de mercado digital que rastreia downloads, tempo de uso, receita e publicidade de aplicativos e sites no mundo inteiro.

O retrato que ela traz tem um protagonista óbvio. O ChatGPT virou, em maio deste ano, o aplicativo mais rápido da história a alcançar 1 bilhão de usuários ativos por mês, uma marca que levou apenas três anos para bater. Como em internet os números gigantes parecem cada vez menos enormes, vale pontuar que o Instagram e o YouTube levaram cerca de 8 anos para atingir essa marca.

O usuário médio do ChatGPT passa cerca de 215 minutos por mês conversando com a ferramenta, mais de três horas e meia que antes simplesmente não existiam na rotina de ninguém. Hoje mesmo, numa conversa com uma amiga jornalista, eu me perguntava onde tinham ido parar as horas que eu antes dedicava a estar com os amigos presencialmente. Encontrei uma resposta (triste) quando vi esse dado do relatório.

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As IAs generativas mais acessadas do mundo

Desde que inaugurou a era das IAs generativas, em novembro de 2022, o ChatGPT se manteve com a fatia maior de mercado. Esse montante foi sendo repartido conforme novos concorrentes entraram na jogada, e em março deste ano, pela primeira vez, o modelo da OpenAI teve menos de 50% do mercado. E fechou maio em 46,4%.

Ainda é coisa à beça, não vamos ser tolos. Mas aponta que a competição se acirrou. Atrás dele aparecem o Gemini, do Google, com 27,7%, e o Claude, da Anthropic, com 10,3%, cuja presença nos Estados Unidos mais que triplicou em um ano. Quando eu falo que o Claude é a sensação do momento, é a esse tipo de coisa que me refiro.

Para que as pessoas usam IA generativa?

O relatório mostra a IA avançando sobre um terreno bem concreto, o das compras, quando revela que quem usa o Rufus, o assistente da Amazon, fecha pedido quase duas vezes mais do que quem navega sem ele, com taxa de conversão acima de 40% contra cerca de 20% dos demais. A loja descobriu, na marra, que um robô que tira dúvida e compara produto na hora certa vende mais.

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O relatório da Sensor Tower não se aprofunda nos demais usos que o público destina para as IAs generativas. Mas é para isso que tem jornalista aqui do outro lado da tela, certo, leitor? Então fui procurar outros estudos que ajudassem a gente a entender os usos mais comuns que as pessoas dão. Em outras palavras, se a humanidade passou 36 bilhões de horas interagindo com máquinas, foi fazendo o que durante esse tempo?

Dois outros estudos trazem respostas. O primeiro, conduzido pela OpenAI com a instituição de pesquisa econômica NBER e o economista David Deming, de Harvard, leu mais de um milhão de conversas reais e descobriu que três usos sozinhos concentram quase 80% de tudo: pedir orientações práticas do cotidiano, buscar informação e escrever. Traduzindo, é montar um plano de treino, trocar o Google por uma resposta direta e redigir ou revisar texto, sendo que o uso fora do trabalho já passou de 70% das mensagens.

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Que temas as pessoas abordam com as IAs generativas?

O segundo estudo, da Microsoft, cruzou 37,5 milhões de conversas com a hora e o aparelho de cada uma. No celular, saúde domina o tempo todo, enquanto no computador trabalho e tecnologia assumem o comando entre 8h e 17h.

Achei especialmente encantador ver nos números dessa pesquisa o tanto que a rotina humana é previsível, em tudo que é lugar do mundo. Aqui, me refiro aos tipos de consulta em cada momento da semana. Nos dias úteis, dúvidas sobre programação. Em fins de semana, crescem consultas sobre games e, na madrugada, vitrola rolando um blues, em vez de tocar B.B. King sem parar, as pessoas fazem perguntas filosóficas.

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Alvaro Leme é doutorando e mestre em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, jornalista e criador do podcast educativo Aprenda

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