Ele ganha dinheiro vendendo telefones para agentes de IA
Artur Negrão, CEO da Salvy, diz que milhões de linhas móveis podem surgir nos próximos anos para atender nova força de trabalho digital
Pois é, talvez você não tenha se dado conta, mas inteligências artificiais também têm seus próprios telefones. Bom, NÚMEROS de telefone pelo menos.
Fornecer linhas telefônicas para máquinas é um dos serviços oferecidos pela Salvy, operadora brasileira voltada para empresas. “Mais de 15% dos nossos clientes usam linhas tanto para humanos quanto para agentes de IA”, diz Artur Negrão, cofundador e CEO da companhia.
Negrão conversou comigo durante o evento ITForum Praia do Forte, evento realizado pelo IT Forum, frente de negócios do Itaqui.
VEJA: Quando eu digo que você ganha dinheiro vendendo telefone para agentes de IA, o que exatamente você está vendendo?
Artur Negrão: Linhas móveis para agentes de IA se comunicarem entre eles e com o mundo real.
Para que um agente de IA precisa de um telefone?
A linha móvel dá a capacidade para o agente fazer e receber ligações, plugar no WhatsApp, receber e mandar SMS. Pode ser um agente de vendas, de atendimento, um assistente. Serve para qualquer aplicação onde eu queira que a IA se comunique com o mundo real e A2A (agent to agent).
IAs são parte da força de trabalho e parte delas precisa se comunicar com o mundo real. O iFood, que é nosso cliente, tem 8,5 mil funcionários e 14 mil agentes.
Artur Negrão, CEO da Salvy
Quem compra isso hoje de vocês? São empresas que desenvolvem agentes, empresas que usam agentes internamente ou os dois grupos?
Ambos. Para as empresas que vendem agentes, nós somos a infraestrutura de telecom. Um exemplo seria a Lastro, que vende IA para corretores de imóveis com uma linha já habilitada.
E o outro grupo?
Também está crescendo rápido. Especialmente empresas de tecnologia estão construindo seus próprios agentes para executar tarefas na companhia. Muitos desses precisam de linhas para executar algumas tarefas. Mais de 15% dos nossos clientes usam linhas tanto para humanos quanto para agentes.
Qual é a diferença entre vender uma linha para um funcionário humano e vender uma linha para um agente de IA?
A venda para agentes é muito mais técnica. Ainda não temos agentes comprando sozinhos (que a gente saiba, pelo menos), mas quem compra tem um perfil mais de engenharia.
Uma empresa talvez tenha mil funcionários, mas poderia acabar tendo dez mil agentes e, portanto, dez mil números?
Estimamos que o mercado de agentes vá introduzir milhões de novas linhas nos próximos anos, por três principais motivos: 1) agentes se tornarão parte integrante da força de trabalho, 2) esses mesmos agentes terão contextos distintos e específicos dentro das disciplinas de cada time e 3) boa parte deles vai precisar se comunicar com o mundo real. O iFood, que é nosso cliente, tem 8,5 mil funcionários e 14 mil agentes.
A linha móvel dá a capacidade para o agente fazer e receber ligações, plugar no WhatsApp, receber e mandar SMS
Artur Negrão, CEO da Salvy
A gente está acostumado a pensar em linha telefônica como algo associado a uma pessoa. Quando ela passa a ser usada por um software, quem responde pelo que aquele número faz?
Do ponto de vista regulatório, nada muda: toda linha tem um titular, e o titular é uma empresa identificada, com CNPJ verificado, contrato assinado e fatura. O agente não contrata linha, a empresa contrata, legalmente. Quem responde pelo que aquele número faz é a mesma empresa que responderia por um e-mail corporativo enviado por uma automação ou por um carro da frota dirigido por um funcionário.
Como vocês evitam que essa infraestrutura seja usada para spam, golpes ou exércitos de agentes disparando mensagens?
Nosso processo tem duas camadas: antes da ativação temos um KYB rigoroso (verificação de CNPJ, estrutura societária, finalidade de uso declarada e volume contratado); depois da ativação, monitoramento de padrão de tráfego, volume atípico, taxa de reclamação e denúncia, com poder de suspensão imediata.
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Alvaro Leme é doutorando e mestre em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, jornalista e criador do podcast educativo Aprenda





