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Paulo Cezar Caju Por Paulo Cezar Caju O papo reto do craque que joga contra o lugar-comum

O dia em que o genial Gerd Müller marcou no Maracanã — pelo Fluminense

O grande artilheiro alemão decidiu um amistoso em 1975 com um gol contra; depois, fomos todos festejar em uma boate em Ipanema

Por Paulo Cezar Caju Atualizado em 16 ago 2021, 12h37 - Publicado em 16 ago 2021, 12h10

Impossível passar em branco, não falar sobre a morte do genial Gerhard “Gerd” Müller. Ainda após assistir mais uma rodada do Brasileirão e ouvir jornalistas sugerirem o ataque da seleção brasileira com Hulk e Gabigol. Se o He-Man fizer mais um gol pelo Botafogo não duvido se o incluírem nessa lista, mas quem salvou o Botafogo ontem foi o zagueiro Joel Carli! O atacante do Mengão exibe os bíceps após seus tentos e os outros dois tem apelidos de super-heróis. É o mundo fantasia, do marketing, da ilusão, da enganação.

Gerd Müller, sem qualquer exagero, pode ser considerado o melhor centroavante da história do futebol alemão e um dos maiores do mundo. Teve enorme responsabilidade no título mundial, de 74, da Alemanha Ocidental e podem ter certeza que se o Bayern de Munique é o que é hoje muito deve-se a ele. Não era um centroavante estiloso e habilidoso como Coutinho, Quarentinha e Reinaldo, mas se destacava com uma eficiência de tirar o chapéu, metendo gol tudo que é jeito! Lembro com muita felicidade de Fluminense x Bayern, no Maracanã, 10 de junho de 1975, partida que marcava o meu retorno ao futebol brasileiro vindo do Olympique de Marseille, promovida pelo dirigente Francisco Horta.

O Flu entrou com Félix, Toninho, Silveira, Assis e Marco Antônio, Zé Mário, Kléber, Cafuringa, eu Rivellino e Mário Sergio. Tá ruim??? Mas o Bayern era bicampeão europeu e campeões mundiais: Sepp Maier era o maior goleiro do mundo, Franz Beckenbauer era o maior de todos os zagueiros e Gerd Muller era o maior artilheiro da história das Copas. E ainda tinham Rummenigge, Kapelmann… Mas deu tricolor, 1×0, gol contra dele mesmo, Gerd Müller. No final do jogo, fomos, Flu e Bayern, para uma boate, em Ipanema, alugada por Francisco Horta. Outros tempos!

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Lembro com carinho também de quando fui convidado para participar da Seleção Master da Alemanha e atuei com a 10 ao lado dele, Breitner e cia. Não poderia esquecer também dos duelos em solo americano, quando Carlos Alberto Torres me chamou para jogar no California Surf! Quando deixou o futebol, em 82, Müller abriu um bar. Mas assim como eu o artilheiro alemão também sofreu graves problemas com o alcoolismo, perdeu dinheiro, bens e levou a família ao desespero. Tive a ajuda de amigos, ele também. Beckenbauer, além de pagar todo o seu tratamento ainda o colocou para treinar a base do Bayern. Morreu com dignidade e seria importante as novas gerações de jornalistas e torcedores pesquisarem sobre ele.

Vou dar um dica, ao invés de exaltarem os produtos de marketing escrevam Gerd Müller no Google e se deliciem. Sobre o Brasileirão, o Vasco perdeu para o Remo e deu sorte de não levar uma lavada, o Grêmio segue na zona de rebaixamento e, liderado pelo intimidador sujo Felipe Melo, o Palmeiras aplicou um jogo sujo e violento contra o Galo e saiu derrotado! Ainda tive ouvir em uma transmissão que o lateral entrou por dentro, no lado dominante, com o pé invertido! Não entendi nada e desliguei!

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