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O Som e a Fúria

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O melhor cantor do Iron Maiden foi demitido para a banda chegar ao sucesso

Documentário recupera a trajetória do vocalista, que enfrentou sérios problemas de saúde no final de sua vida

Por Sergio Ruiz Luz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 30 jan 2026, 13h22 | Atualizado em 30 jan 2026, 15h05
O melhor cantor do Iron Maiden foi demitido para a banda chegar ao sucesso Priorizar nos meus resultados Google

Quando surgiu na Inglaterra no final dos anos 70, o Iron Maiden era um grupo totalmente dissonante em relação ao que estava em moda na época. Em meio ao furacão punk, marcado pelo discurso iconoclasta e pelas canções curtas de três acordes, a banda investia firme nos clichês do heavy metal, um gênero que estava meio por baixo e parecia superado. A dupla de guitarristas do Maiden percorria de forma furiosa a escala pentatônica em longos solos e as letras das músicas eram dignas de filmes B de terror.

Outro ponto que chamava atenção era o vocalista do grupo, Paul Di’Anno, que surgia em cena com roupas de tachinhas e cabelos curtos, um visual mais parecido ao de um integrante dos Sex Pistols. Além disso, tinha uma marcante voz rouca, longe do tom operístico adotado pela maior parte das estrelas do rock pesado. Será lançado até o final do ano um documentário sobre a trajetória de Paul. Confira aqui o trailer do filme:

Na base do boca a boca tocando em pubs ingleses, o Maiden navegou contra a maré, incluindo a imprensa musical hostil, angariou uma multidão de fãs e conseguiu um contrato de gravação com a EMI. Os dois primeiros álbuns, lançados entre 1980 e 1981, emplacaram clássicos como Running Free e Wrathchild. O grupo ganhava espaço combinando a energia punk com o catecismo do heavy metal. Para alcançar o sucesso global faltava ainda algo. Em pouco tempo, ficou claro para o grupo que era preciso  se livrar do carismático vocalista. Apesar do talento, Paul Di’Anno havia se transformado em um grande problema.

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Excessos com drogas e álcool começaram a afetar sua performance. Não raro, chegava aos compromissos de ressaca. Em algumas noites, minutos antes da banda entrar ao palco, Paul ficava deitado no chão do camarim, dizendo que não tinha condições de cantar. Houve cancelamentos de shows por causa desses problemas até que a situação ficou insustentável. Mesmo sendo delicado trocar o frontman naquele momento da carreira, o Maiden precisava de alguém mais confiável para conquistar o mercado americano, a meca do showbiz.

Veio então Bruce Dickinson, com um estilo completamente diferente. Graças aos agudos e potência vocal, ele ganhou o apelido de “air raid siren” (sirene de ataque aéreo). Bruce era mais confiável e profissional. Sua estreia em Number of the Beast, terceiro álbum do Maiden, em 1982, mostrou-se arrebatadora. Foi o primeiro álbum deles a alcançar o topo das paradas britânicas.

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Enquanto via de longe a ascensão dos seus ex-companheiros, Paul iniciava uma carreira solo, que nunca decolou. Passou os últimos anos da vida com sérios problemas de saúde. De cadeira de rodas, fazia apresentações interpretando os velhos sucessos do Maiden. Em outubro de 2024, foi encontrado morto em seu apartamento. Estava sozinho e sem dinheiro.

O músico Paul Di'Anno se apresenta em uma cadeira de rodas
O músico Paul Di’Anno se apresenta em uma cadeira de rodas (//Reprodução)
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O Maiden continua na estrada. A “Run For Your Lives World Tour” chegará ao Brasil no segundo semestre, com apresentações nos dias 25 e 27 de outubro no Allianz Parque em São Paulo. A exemplo de outras ocasiões em que tocaram por aqui, o estádio deve ficar lotado. Paul Di’Anno era um talento único, mas o Maiden precisou demiti-lo para alcançar outro patamar com o competente e energético Bruce Dickinson. 

 

 

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