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McCartney exclusivo: saiba como é show que ex-beatle fará no país

VEJA acompanhou duas apresentações do ex-beatle em Seattle, no início da tour 'Got Back' - que deverá passar pelo Brasil em 2023

Por Lucia Camargo Nunes Atualizado em 6 Maio 2022, 13h04 - Publicado em 6 Maio 2022, 10h16

Fã de Paul McCartney há 40 anos, a jornalista Lucia Camargo Nunes viaja o mundo para assistir aos shows do ex-beatle. Em 2011, foi convidada por Paul McCartney para subir no palco durante a passagem de som no Estádio do Engenhão, no Rio de Janeiro, e ele autografou seu braço – o que depois virou uma tatuagem. A paixão pelo músico é tamanha que ela já chegou a vender o próprio carro para levantar dinheiro para comprar o hotsound (ingresso VIP para passagem de som). No pós-pandemia, Lucia viajou na última semana para Seattle, nos Estados Unidos, só para ver as primeiras apresentações da nova turnê, Got Back, em que Paul surpreendeu os fãs com um dueto emocionante com imagens de John Lennon de 1969. Em Seattle, Lucia apurou com duas fontes da produção e muito próximas de Paul que a turnê virá para o Brasil em 2023. A convite de VEJA, ela relata a seguir, com exclusividade, o que fãs brasileiros testemunharão quando o músico trouxer a sua turnê para o país. 

Ir a um show de Paul McCartney é como entrar em uma cápsula do tempo. As horas passam e parece que tudo aconteceu num piscar de olhos. O setlist repetitivo é o que menos importa. Na hora em que as luzes apagam e surge um beatle iluminado no palco, o tempo para. Minha primeira vez diante dessa imagem foi em 1990, em um Maracanã lotado, que bateu recorde mundial de pagantes em um show com 184 000 pessoas que foram ver de perto o primeiro ex-beatle a tocar no Brasil. Fui testemunha, ali da primeira fila. Vi um Paul mais maduro, com então 47 anos, mas que o tempo mostraria ser generoso. Com o passar dos anos, o cute beatle tornou-se um músico genial e aplaudido por gerações – e que continua arrastando multidões a estádios.

Todas as 16 apresentações desta nova turnê, Got Back, que começou no dia 28 de abril, na pequena cidade de Spokane, em Washington, estão lotadas, com vendas praticamente esgotadas no primeiro dia. No sufoco, consegui comprar os ingressos para o segundo e o terceiro show, em Seattle, que aconteceram em 2 e 3 de maio. Descobri por lá que a turnê também passará pelo Brasil em 2023. Duas fontes internas de sua produção me confirmaram que ele virá mesmo para o país, porém sem antecipar locais e datas. “Cruze os dedos e em 2023 levaremos a tour para o Brasil”, me disse a fonte.

Paul McCartney faz dueto com John Lennon em show em Seattle, nos Estados Unidos (02/05/2022) -
Paul McCartney faz dueto com John Lennon em show em Seattle, nos Estados Unidos (02/05/2022) – Lucia Camargo Nunes/VEJA

Nestas, que foram a 23ª e a 24ª vez que o assisti em 32 anos, desde quando o vi pela primeira vez, Paul me surpreendeu novamente. Esperava encontrar um senhor mais contido, um setlist enxuto e um espetáculo com jeito de pocket show. Puro engano. O show continua repleto de momentos apoteóticos, como as tradicionais explosões em Live and Let Die e o coro masculino e feminino de Hey Jude. Mas não é só isso. O show contou com um momento inédito e bastante emocionante: um dueto de Paul com uma gravação de John Lennon no telão, cantando I’ve Got A Feeling. No repertório, ele adicionou também um inédito medley de Your Never Give Me Your Money / She Came In Through The Bathroom Window, clássicos do ábum Abbey Road.

Assista ao dueto:

No rastro do sucesso da série documental The Beatles: Get Back (disponível na Disney+), dirigida por Peter Jackson, Paul encomendou ao diretor neozelandês uma edição de imagens inéditas para exibir nos telões enquanto ele toca Get Back. Mas é no bis que Paul emociona a todos. Neste momento, John Lennon surge no telão cantando I’ve Got A Feeling, em uma das cenas retiradas do último show dos Beatles, em 1969, no telhado da Apple, em Londres, que também faz parte do documentário. O efeito só foi possível porque Peter Jackson conseguiu isolar as vozes de todos os Beatles. Após 50 anos, Paul volta a fazer um dueto com seu maior parceiro em um palco. A plateia americana não resiste e vem abaixo.

Sinal dos tempos, antes de cantar o bis, Paul desfilou com a bandeira da Ucrânia. E, nesta turnê, ele retirou de seu setlist a música Back In The USSR, dos Beatles, faixa que ele tocava ao vivo desde 1989. Na letra satírica, ele cantava sobre a alegria de viajar para União Soviética e elogiava as garotas da Ucrânia e de Moscou.

Paul, que mora atualmente em Nova York e em pouco menos de 40 dias completará 80 anos de idade, mostrou-se muito à vontade e incrivelmente disposto. Os cabelos um pouco tingidos não tentam mais esconder a idade. Até sua descida da escada entre o piano e o palco é cautelosa: em tempos passados, ele despencou de uma plataforma nos EUA. Já no Brasil, anos atrás, em pleno estádio do Morumbi, em São Paulo, ele tropeçou em um amplificador e caiu quando saía do palco após o show.

 

Paul McCartney faz show da turnê Got Back em Seattle, nos Estados Unidos (02/05/2022) -
Paul McCartney faz show da turnê Got Back em Seattle, nos Estados Unidos (02/05/2022) – Rick Glover/VEJA

Sua voz, como já era percebido em turnês anteriores, não tem o mesmo vigor. Os agudos falham, o tom parece mais baixo e até a velocidade das músicas está sutilmente mais lenta. Mas nada de show curto e intimista. O velho McCartney transforma-se num meninão e se mantém firme por cerca de 2 horas e 40 minutos sem sair do palco, canta 34 canções, em momentos cheios de hits, memórias, longas conversas e interação com a plateia.

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Na terra fria berço do grunge, é impossível não se emocionar. O show, aliás, é pura emoção. Paul está mais saudosista do que nunca e desfila homenagens aos seus amigos e heróis, quase todos mortos. Ele lembra Jimi Hendrix, George Martin (produtor dos Beatles), George Harrison e o já citado John Lennon em momentos especiais. Linda, sua primeira esposa morta em 1998, aparece em imagens durante a música Lady Madonna.

Em intervalos, ele conversa sem pressa com o público. Paul assume seu lado “grandude” (o “vovozão legal”, como seus oito netos o chamam) para contar para a plateia seus causos. Lembra curiosidades de gravações, da cidade natal Liverpool, sobre direitos civis, lê cartazes que os fãs levam e até aconselha: “Se você tiver um amigo e quiser falar alguma coisa, faça. Porque se deixar para amanhã, você pode perder a oportunidade de falar”, comenta na introdução de Here Today, música feita em homenagem a Lennon logo após seu assassinato.

Paul gosta e preserva sua zona de conforto. O repertório pouco mudou em relação a outras turnês. Ele brinca dizendo que quando canta hits as luzes dos celulares são acesas e a plateia canta junto. Nas novas ou menos conhecidas, tudo o que ele vê é um “black hole” (um buraco negro). “Mas não me importo, vou continuar cantando essas menos conhecidas”, brinca. Nesta semana, aliás, ele fez um post nas redes sociais contando ter um sonho recorrente: “Estou tocando e as pessoas começam a sair. Aí penso em uma música que vai trazê-los de volta”, disse.

Com mais de 60 anos de carreira, e em meio a uma maioria de canções dos Beatles, ele intercala com outras solo, de sua banda dos anos 70, Wings, e poucas das mais recentes. No término do show, a sequência Golden Slumbers/Carry That Weight/The End já o acompanha há algumas décadas e é o grande finale. E a deixa é sempre um até breve: “See You Next Time” (Vejo vocês em breve). É o que realmente esperamos.

Ritual dos fãs

Uma experiência diferente e gratificante, para além do show, é a oportunidade de acompanhar a passagem de som. Paul chega ao estádio horas antes do show e vai direto ao palco. O beatle perfeccionista e vaidoso só permite que um pequeno público, com cerca de 100 pessoas, assista ao ensaio de uma longa distância, com total restrição a filmagens. Nesse momento, ele surge sem maquiagem e mais à vontade. O soundcheck é tão completo, que acaba se transformando em show preliminar. No do segundo show de Seattle, a passagem de som que eu acompanhei durou exatos 57 minutos e 15 músicas.

Paul testa os instrumentos que vai usar, conversa com Pablo, seu engenheiro de som (Paul Boothroyd, outro funcionário que o acompanha há décadas) e quando está disposto, interage com a plateia. Sorte a minha. Pois foi nesse momento que, em 2011, no Rio de Janeiro, Paul em carne e osso me chamou ao palco e autografou meu braço – que depois transformei em tatuagem. Estou aqui para testemunhar que ele existe de verdade. A pandemia que o afastou dos palcos pode ter sepultado de vez a brincadeira que ele também levava aos shows: chamar fãs ao palco para cantar, dançar, autografar e mostrar que ele é gente como a gente.

Outro ritual que Paul gosta de fazer – e esse é grátis – é o “limo watch”, que nada mais é do que um tchauzinho que ele dá para os fãs da janela do carro quando está saindo do hotel ou chegando no estádio. O gesto é repetido todas as vezes e por pouco não consta no ingresso. E tudo é muito organizado, o que ajuda sua segurança.

Paul McCartney faz show da turnê Got Back em Seattle, nos Estados Unidos (02/05/2022) -
Paul McCartney faz show da turnê Got Back em Seattle, nos Estados Unidos (02/05/2022) – Rick Glover/VEJA

Em Seattle, o tal ritual ocorreu após a vistoria do esquadrão anti-bombas do local por onde o carro passaria. Em seguida, a escolta pessoal de Macca (apelido carinhoso vindo de Liverpool), capitaneada pelo fiel segurança Brian Riddle (que o acompanha há mais de 30 anos), organiza um pequeno cercado com grades para os cerca de 20 a 30 fãs, a maioria velhos conhecidos, para recepcioná-lo. Às 15h30 eu já estava lá, e em um local privilegiado para vê-lo. Paul chegou à Climate Pledge Arena de Seattle, por volta de 16h, em uma comitiva de SUVs Cadillac Escalade. O carro reduz a velocidade e o ídolo abre a janela. Ele acena, sorri e interage. É uma festa à parte e gratuita.

Setlist da primeira noite em Seattle (2 de maio)

  1. Can’t Buy Me Love
  2. Junior’s Farm
  3. Letting Go
  4. Got to Get You Into My Life
  5. Come on to Me
  6. Let Me Roll It
  7. Getting Better
  8. Woman and Wives
  9. My Valentine
  10. Nineteen Hundred and Eighty Five
  11. Maybe I’m Amazed
  12. I’ve Just Seen A Face
  13. In Spite of All The Danger
  14. Love Me Do
  15. Dance Tonight
  16. Blackbird
  17. Here Today
  18. New
  19. Lady Madonna
  20. Fuh You
  21. For the Benefit of Mr. Kite
  22. Something
  23. Ob La Di Ob La Da
  24. You Never Give Me Your Money
  25. She Came In Through The Bathroom Window
  26. Get Back
  27. Band On The Run
  28. Let It Be
  29. Live and Let Die
  30. Hey Jude
    Bis
  31. I’ve Got a Feeling
  32. Birthday
  33. Helter Skelter
  34. Golden Slumbers/Carry that Weight/The End

Setlist da segunda noite em Seattle (3 de maio)

  1. Can’t Buy Me Love
  2. Junior’s Farm
  3. Letting Go
  4. Got to Get You Into My Life
  5. Come on to Me
  6. Let Me Roll It
  7. Getting Better
  8. Let’Em In
  9. My Valentine
  10. Nineteen Hundred and Eighty Five
  11. Maybe I’m Amazed
  12. We Can Work It Out
  13. In Spite of All The Danger
  14. Love Me Do
  15. Dance Tonight
  16. Blackbird
  17. Here Today
  18. Queenie Eye
  19. Lady Madonna
  20. Fuh You
  21. For the Benefit of Mr. Kite
  22. Something
  23. Ob La Di Ob La Da
  24. You Never Give Me Your Money
  25. She Came In Through The Bathroom Window
  26. Get Back
  27. Band On The Run
  28. Let It Be
  29. Live and Let Die
  30. Hey Jude
    Bis
  31. I’ve Got a Feeling
  32. Birthday
  33. Helter Skelter
  34. Golden Slumbers/Carry that Weight/The End

Soundcheck da primeira noite em Seattle (2 de maio)

  1. Instrumental Jam
  2. Honey Don’t
  3. 20 Flight Rock
  4. I Wanna Be Your Man
  5. Coming Up
  6. C Moon
  7. Let ‘Em In
  8. Mrs. Vandebilt
  9. Every Night
  10. San Francisco Bay Blues
  11. Ram On
  12. Midnight Special
  13. New
  14. Lady Madonna

Soundcheck da segunda noite em Seattle (3 de maio)

  1. Instrumental Jam
  2. Honey Don’t
  3. Drive My Car
  4. One After 909
  5. Flaming Pie
  6. Women and Wives
  7. C Moon
  8. Celebration
  9. It’s So Easy
  10. Every Night
  11. Ram On
  12. Big Barn Bed
  13. Midnight Special
  14. Queenie Eye
  15. Lady Madonna
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