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Gilberto Gil reflete sobre a própria morte em nova série da Amazon

Músico dá depoimento em produção documental que acompanhou os preparativos para a turnê europeia que celebrará seus 80 anos de vida

Por Felipe Branco Cruz 21 jun 2022, 10h43

Reunidos ao redor de uma fogueira, no ano passado, durante o aniversário de 79 anos de Gilberto Gil, a família do músico planeja o repertório da turnê pela Europa que eles fariam no ano seguinte, nas comemorações dos 80 anos de Gil. Na dinâmica, cada membro da família tem que defender uma música para entrar no show e o neto, Bento, de 18 anos, bastante emocionado, sugere Não Tenho Medo da Morte, canção lançada em 2008 para o álbum Banda Larga Cordel. Bento diz que, apesar de saber que o avô mais ou cedo ou mais tarde irá morrer, nunca sentiu que o tema fosse um tabu na família. A cena, exibida na série documental Em Casa Com os Gil, dirigida por Andrucha Waddington, que estreia na próxima sexta-feira, 24, na Amazon Prime Video, impressiona pela franqueza com que eles tratam o assunto. “Essa música já era a favorita do Bento desde que ele tinha 14 anos, indicando um pouco dessa presença em sua alma, dessa tensão curiosa sobre a finitude”, disse Gilberto Gil em entrevista coletiva para falar da série.

Lançada quando Gil tinha 66 anos, a música ganhou ares mais soturnos em 2016, quando o cantor ficou vários meses internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, para tratar de uma insuficiência renal. Em entrevista exclusiva a VEJA, três filhos de Gil – Bem, Bela e Preta – relembraram daquele período e de como o pai lidou com tranquilidade com o tema. “Meu pai tem a sabedoria de dizer que somos finitos”, afirma Preta. “Ele trata a morte de maneira natural, especialmente depois da perda de nosso irmão”, diz ela, se referindo a Pedro Gil, morto aos 19 anos, em 1990, em um acidente de carro no Rio de Janeiro. “Em determinado momento, quando meu pai ficou internado em 2016, eu senti uma certa resignação. Ele demonstrava estar cansado. Mas, da nossa perspectiva, foi natural a recuperação dele. Ele sempre foi muito ativo”, diz Bem.

Na letra de Não Tenho Medo da Morte, Gil canta os versos com uma voz mais grossa do que o normal: “não tenho medo da morte / Mas sim medo de morrer / Qual seria a diferença / Você há de perguntar / É que a morte já é depois / Que eu deixar de respirar / Morrer ainda é aqui”. Para deixar o clima ainda mais sombrio, em vez de tocar o violão, Gil usa o instrumento como percussão, dando pequenas pancadas em sua caixa acústica. Na série, a canção causa um impacto ainda maior no público, pois Gil a interpreta diante da fogueira cuja única iluminação vem do fogo crepitante.

O tema da morte, no entanto, já é tratado por Gil há anos. Na faixa A Morte, por exemplo, ele já cantava: “A morte é rainha que reina sozinha / Não precisa do nosso chamado / Recado / Pra chegar”. “Meu pai trata desse assunto desde que eu me entendo por gente. A música Se Eu Quiser Falar Com Deus é outro exemplo”, conta Preta. “Eu não normalizo minha relação de pai com ele. Para mim, ele está em um pedestal. Tenho consciência de que sou filha de um orixá vivo. Para mim, ele já era um imortal antes mesmo de ter sido eleito para Academia Brasileira de Letras”, completa.

Nesta semana, cerca de 40 integrantes da família embarcam para a Europa para a turnê de 80 anos do músico. A aventura será mais uma vez registrada pelas lentes de Andrucha Waddington para uma segunda temporada, que será chamada de “Viajando com os Gil” e deverá estrear ano que vem, também na Amazon Prime Video.

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