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O Som e a Fúria

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Cenas da pesada do armistício mais improvável da história do rock pesado

Show em Nova York realizado na quarta, 12, colocou fim a um hiato de mais de três décadas de brigas e ofensas

Por Sergio Ruiz Luz Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 ago 2026, 11h44 | Atualizado em 13 ago 2026, 13h56
Cenas da pesada do armistício mais improvável da história do rock pesado Priorizar nos meus resultados Google

Estão enxugando as lágrimas até agora os sortudos que testemunharam um show ocorrido na quarta, 12, no Jones Beach Theater, em Wantagh, Nova York, e os milhões de internautas que passaram a compartilhar vídeos da apresentação. Foi um autêntico milagre. Após mais de três décadas afastado do Deep Purple, banda inglesa que ajudou a fundar (e a deixou em meio a brigas e ofensas cabeludas), o guitarrista Ritchie Blackmore subiu ao palco com sua Fender Stratocaster para executar ao lado de seus ex-companheiros um dos maiores hits do grupo, Smoke on the Water. O momento marcou também a volta da formação mais famosa do Purple, a mesma que gravou discos lendários como In Rock e Machine Head (ficou de fora da festa apenas o tecladista Jon Lord, que faleceu em 2012). Confira acima um vídeo com a apresentação em Nova York.

Ao lado do Led Zeppelin, o Deep Purple foi uma das principais bandas de rock pesado da história. Os solos e improvisações com diálogos entre os teclados com pegada erudita e a guitarra estridente eram as marcas registradas. Blackmore entrou para o rarefeito panteão de deuses da guitarra em uma época em que o páreo tinha gente do calibre de Jimmy Page e Jimi Hendrix. Um feito e tanto, diga-se. Ele também ficou conhecido pela dose elevada de vaidade e pelo temperamento irascível. Em outras palavras, mereceu com justiça o epíteto de “grande mala sem alça do rock”.

Dois músicos no palco sob luz vermelha. Um homem de camiseta branca e calça azul canta no microfone. Ao lado, outro homem de jaqueta preta e óculos amarelos toca guitarra. Ao fundo, um baterista de chapéu branco e camisa estampada.
Ian Gillan e Ritchie Blackmore: show de saudosismo (Reprodução/VEJA)

O guitarrista fazia questão de ter um camarim próprio, de modo a ficar distante dos outros músicos da banda. “Costumo não ficar muito envolvido com as pessoas porque, para ser bem sincero, acho todo mundo muito chato”, explicou em uma entrevista. Ele também vivia às turras com o vocalista Ian Gillan. Em um show na Califórnia, irritado com uma confusão nos bastidores a respeito do horário em que a banda deveria tocar, pediu a um dos roadies para encher de gasolina os gabinetes de alto-falantes. Em um determinado momento, eles explodiram. Ao final, Blackmore ainda atirou a guitarra na lente de um atônito cinegrafista.

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Ritchie era o principal compositor do Purple e deixou a banda por duas vezes, ocasiões em que o grupo correu sérios riscos de afundar. Em 1975, anunciou que deixaria o posto em meio à turnê do disco Stormbringer. Voltou ao Purple em 1984, mas a reconciliação durou só alguns anos. A banda seguiu em frente, mas nenhum substituto alcançou o mesmo prestígio de Blackmore entre os fãs.

O guitarrista também abandonou o rock pesado, dedicando-se nos últimos tempos ao Blackmore’s Night, um projeto de folk-medieval. Aos 81 anos, de forma surpreendente, acenou com uma reconciliação com o passado e com os seus ex-companheiros. Gillan, que costuma se referir a Ritchie nas entrevistas como “aquele imbecil”, sorria ao ver o guitarrista executar os primeiros acordes de Smoke on the Water no show de Nova York.

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