WorldPride Amsterdã: tudo sobre a parada gay que acontece nos canais
O Canal Parade de 2026 celebrou seus 30 anos e os 25 anos do casamento entre pessoas do mesmo sexo na Holanda; veja os 10 maiores eventos LGBTQIA+ no mundo
Com características únicas, Amsterdã combina uma beleza histórica com canais seculares, bairros vibrantes, prédios com fachadas estreitas e inclinadas, um roteiro de museus singulares e uma forte cultura do ciclismo. Tudo isso ainda é brindado com uma atmosfera vanguardista e liberal. A cidade dos famosos coffeeshops, onde o consumo de maconha é permitido, foi também o primeiro lugar no mundo a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, em 2001. O Homomonument, primeiro monumento dedicado a homenagear homossexuais perseguidos e mortos durante a Segunda Guerra Mundial e vítimas em geral de homofobia, criado em 1987, também fica ali. É justamente nesta capital progressista e encantadora que acontece uma das maiores e mais especiais celebrações do Orgulho LGBTQIA+ do planeta, o WorldPride Amsterdã, que está completando 30 anos em 2026.
Realizado anualmente durante cerca de quinze dias, entre o final de julho e início de agosto, o festival chega a reunir 2 milhões de pessoas. Esta ode à tolerância e à diversidade tem o seu ponto alto no Canal Parade, a Parada dos Canais. Ao invés dos desfiles tradicionais realizados nas ruas, o evento na capital holandesa acontece a bordo de embarcações, ao longo das vias aquáticas que circundam toda a cidade, como as famosas Prinsengracht e Amstel. A festa, que este ano caiu no último sábado (1º de agosto), chega a reunir a cada edição mais de 80 barcos, todos minuciosamente decorados. Um espetáculo democrático, acolhedor e com uma energia única que eu tive a chance de conhecer de perto, a convite da Booking.com – uma das principais empresas no mundo de reservas de hotéis, aluguel de temporada, voos e outros serviços de turismo.
Se Amsterdã já é especial, nesta época do ano a capital dos Países Baixos fica ainda mais animada, festiva e iluminada – pude atestar e me encantar. Uma experiência que, independentemente da orientação sexual, vale muito cada minuto na cidade. Uma das coisas que, logo de cara, chamam a atenção de um espectador da festa, como eu, é o fato de o Canal Parade não reunir apenas barcos de ONGs e grupos diretamente ligados à causa, mas também corporações multinacionais, partidos políticos holandeses e instituições religiosas. E ainda mais surpreendente: há até barcos da Polícia Nacional, dos Bombeiros (Brandweer Nederland) e das Forças Armadas participando da festividade. Tudo com o intuito de mostrar que são instituições inclusivas, abertas e acolhedoras para todos. Um posicionamento mais do que louvável e que este ano ainda teve grandes marcos para comemorar. Além de três décadas da WorldPride Amsterdã, as festividades marcam os exatos 25 anos da legalização da união de pessoas do mesmo sexo.
Ao longo de duas semanas, além da “parada aquática”, que também faz das margens dos canais uma festa, o evento inclui mais de 300 atividades, entre festas nas ruas, shows em praças, exibições de cinema ao ar livre, junto com diversos eventos culturais, esportivos e de direitos humanos. Um detalhe: a maior parte da programação é gratuita – com exceção de festas fechadas, camarotes e balsas particulares. Em uma destas celebrações especiais, na casa de shows AFAS Live, a principal atração da noite de encerramento do WorldPride em Amsterdã, na madrugada de domingo (2), foi nada menos do que a diva Madonna. A Rainha do Pop fez um show de cerca de 30 minutos, com a participação surpresa da cantora australiana Kylie Minogue. O público, claro, foi ao delírio.
Diferentemente de outras paradas gays pelo mundo, que em sua maioria começou como protestos por direitos civis, a WorldPride Amsterdã teve início, em agosto de 1996, como um presente para a cidade, celebrando a liberdade, a diversidade e promovendo a cidade como um destino turístico acolhedor. A iniciativa partiu de um grupo de empresários do ramo de hospitalidade gay e se encaixou perfeitamente com as características desta cidade: progressista, com legislação avançada e uma rica história de tolerância. Ao longo dos anos, o evento foi se organizando e se profissionalizando. Hoje, o público, além de poder assistir à parada às margens dos canais da cidade, ainda conta com um trecho especial com arquibancadas (o WorldPride Canal Parade Stadium), onde quem quer mais conforto conta com cadeiras com lugares marcados e comida e bebida liberadas – custa a partir de 50 euros (sem alimentação) e de 200 euros com tudo incluído.
Não há números exatos de quantas paradas de Orgulho LGBTQIA+ existem no mundo, mas dados de organizações globais de direitos civis apontam que eventos promovidos pela comunidade, com grande visibilidade e adesão, ocorrem em mais de 100 países. A primeira parada gay no planeta ocorreu em junho de 1970, em Nova York. Ela foi criada com o intuito, inicialmente, de celebrar o primeiro aniversário da Rebelião de Stonewall (ocorrida em junho de 1969) – uma série de protestos e confrontos violentos contra batidas policiais abusivas em bares frequentados por aquela população. Mais de meio século depois, seja em forma de protesto, de desfile ou de festa sobre as águas, todas elas continuam compartilhando a mesma essência: tornar a diversidade visível e lembrar que liberdade e direitos são conquistas que precisam ser permanentemente celebradas — e defendidas.
Das maiores às mais tradicionais, confira a seguir as dez paradas LGBTQIA+ mais famosas do planeta:
1-WorldPride, em Amsterdã (Países Baixos)
É a única parada gay no mundo que acontece sobre a água. Em vez de marchar pelas ruas, os participantes desfilam em barcos decorados pelos canais históricos da capital dos Países Baixos. O evento, no ano de 2026, é considerado ainda mais especial: marca os 25 anos da legalização do casamento homoafetivo em solo holandês – foi o primeiro país a reconhecer esse direito – e as três décadas de criação da WorldPride.
2-Parada do Orgulho LGBTQIA+ de São Paulo (Brasil)
Atraindo entre 3 e 5 milhões de pessoas anualmente para a Avenida Paulista, é a maior parada do orgulho no mundo, reconhecida pelo Guinness World Records. O evento, que mescla manifestação política, luta por direitos e celebração cultural, surgiu em 1997 e acontece sempre no domingo seguinte ao feriado de Corpus Christi. Tradicionalmente, reúne dezenas de trios elétricos com shows de artistas engajados com a causa.
3-NYC Pride (Nova York, Estados Unidos
Considerada o berço do movimento moderno pelos direitos homossexuais, a parada surgiu em 1970, ano seguinte à Revolta de Sonewall (na época, a homossexualidade era criminalizada nos Estados Unidos e bares que atendiam a comunidade eram alvo constante de batidas policiais). O evento, que sempre acontece em junho, é uma mistura de celebração festiva, grande presença midiática e manifestações políticas intensas.
4-Madrid Orgullo – MADO (Espanha)
Realizado todos os anos no final de junho e início de julho, o festival é considerado o maior do Orgulho LGBTQIA+ na Europa. O epicentro das celebrações é o bairro de Chueca, que se transforma em uma festa gigante com múltiplos palcos de rua. A primeira edição do evento aconteceu em 1978, logo após o fim da ditadura de Franco, e desde então evoluiu para um evento que mistura forte ativismo com uma das maiores celebrações de rua do continente
5-San Francisco Pride (Estados Unidos)
Principal celebração da diversidade na Califórnia, ele acontece todos os anos no último fim de semana de junho. Como o evento de Nova York, ele teve sua origem motivada pelo aniversário da Revolta de Stonewall, em 1970. A celebração é dividida em dois dias, um com um grande festival de rua e o outro com uma grande marcha. Todos os anos, a icônica Market Street fica repleta de carros alegóricos e manifestantes.
6-Sydney Gay and Lesbian Mardi Gras (Austrália)
Diferentemente da maioria das paradas, a Mardi Gras de Sidney é um evento grandioso noturno, famoso pelas fantasias, glitter e por reunir cerca de 200 carros alegóricos. Maior festival LGBTQIA+ da Oceania, ele originou-se para lembrar a Rebelião de Stonewall – violenta repressão policial contra manifestantes, em 1978 – e exigir o fim da discriminação. Ele acontece tradicionalmente entre meados de fevereiro e o primeiro sábado de março.
7-Pride em Toronto (Canadá)
Marcando o Mês do Orgulho, o evento ocorre durante todo o mês de junho. O seu ápice, no entanto, é na última semana, culminando com um grande desfile no domingo. Com o intuito de celebrar a diversidade e lutar pelos direitos da comunidade LGBTQIA+, a sua primeira edição ocorreu em 1981, motivada por protestos contra batidas policiais em saunas de Toronto, que ficou conhecida como Operation Soap. O Church and Wellesley Village, o bairro gay da cidade, concentra a maior parte das atividades do festival, que conta com a participação ativa até do primeiro-ministro canadense.
8-Christopher Street Day em Berlim (Alemanha)
A primeira edição do evento aconteceu ainda na Berlim Ocidental, em junho de 1979, quando 450 manifestantes marcharam com o objetivo de dar visibilidade e exigir a revogação do infame Parágrafo 175 do código penal alemão, que criminalizava atos homossexuais masculinos. Concentradas anualmente em julho, as manifestações incluem um grande desfile no último sábado de julho. A marcha, tradicionalmente, passa por marcos históricos e bairros icônicos da diversidade, como a Potsdamer Platz e a famosa Nollendorfplatz (conhecida pela comunidade queer).
9-Paris Pride – Marche des Fiertés (França)
Maior celebração LGBTQIA+ da França e com forte viés político, a Paris Pride ocorre anualmente no mês de junho. As primeiras manifestações do gênero começaram na década de 1970, mas a sua criação oficial ocorreu em 1977. O desfile geralmente começa no Palais Royal e vai até a Place de la Nation, passando por rotas emblemáticas e reunindo milhares de pessoas.
10-Taipei Pride (Taiwan)
Realizada pela primeira vez em novembro de 2003, a Taipei Pride é a maior parada do orgulho LGBTQIA+ da Ásia e tornou-se um símbolo de diversidade e direitos humanos. O evento acontece todos os anos no último sábado de outubro e cada edição traz um tema especial relacionado à inclusão, visibilidade e direitos da comunidade. Uma curiosidade: Taiwan foi o primeiro lugar na Ásia a legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
*A colunista viajou para Amsterdã a convite da Booking.com, uma das principais empresas do mundo de reservas de hotéis, aluguel de temporada, voos e outros serviços de turismo. Conta com escritórios em cerca de 70 países e um site disponível em 45 idiomas. A plataforma reúne 31 milhões de anúncios de casas, apartamentos, vilas, hotéis e resorts em mais de 175 000 destinos em 220 países e territórios.
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