Efeito Rock in Rio: turismo, empregos e bilhões de reais
Em duas semanas, festival reunirá 190 atrações, 45 delas internacionais, e um público de 700 000 pessoas
Os números em torno do Rock in Rio são sempre superlativos. Nesta edição, em que o festival está completando 41 anos e tem Elton John (que sobe ao Palco Mundo hoje) como uma de suas grandes atrações, não é diferente. Ao todo, serão 190 atrações, 45 delas internacionais, divididas em sete dias (4, 5, 6, 7, 11, 12 e 13 de setembro), quando o evento deve reunir 700 000 pessoas e promover grande impacto no turismo. Com 66% do público vindo de fora da capital fluminense, a expectativa é que Rock in Rio injete 3,3 bilhões de reais na economia local – de acordo com pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV) –, gere cerca de 34 000 empregos e impulsione a ocupação hoteleira, com picos de 90%.
Estudos ligados ao turismo também mostram que a maioria do público que vem de fora do Rio para o festival costuma aproveitar e passar mais alguns dias na cidade. Este é o caso da enfermeira Caroline Guerra, de 44 anos, que chegou à cidade na última quarta-feira (2), assistiu os primeiros dias do festival e se programou para passar uma semana. “Tirei férias nessa época do ano já pensando nisso. Enquanto eu tiver pique, virei ao Rock in Rio”, comentou ela, que veio de São Paulo, acompanhada do marido, o técnico de telecomunicações Jeferson Guerra, de 50, e do filho, Igor, de 26, servidor público. “O Rock in Rio é uma experiência única, multicultural, completa”, elogiou a estudante de medicina de Maceió, Jobiany Rocha, de 27 anos, que também se organizou para ficar uma semana na cidade, neste caso, ao lado do irmão Job Rocha, de 29, e do namorado Manoel Teles, de 31.
Mas o Rock in Rio não atrai só os turistas nacionais. De acordo com levantamento da Embratur, para o período do festival foram emitidas 14 856 passagens aéreas internacionais com destino à capital fluminense – um volume que supera em 7,5% o registrado na edição de 2024.
“O Rock in Rio é um dos grandes eventos do calendário da cidade e uma vitrine do Rio para o mundo. O aumento na emissão de bilhetes internacionais mostra a força do festival como indutor de turismo e reforça a capacidade do Rio de receber grandes eventos e públicos de diferentes partes do mundo”, observou o presidente da Riotur, Bernardo Fellows.
Os países mais próximos do Brasil, como era de se esperar, estão na liderança das chegadas à cidade durante os dias do festival. A América do Sul concentra 8 907 bilhetes, cerca de 60% do total. A Argentina aparece na, com 6 116, seguida por Uruguai, com 1 599, e Estados Unidos, com 1.598. A Europa, por sua vez, contabiliza 3 110 emissões, alta de 7,5% diante de 2024. A América do Norte apresenta avanço de 4,1%. Um movimento que impacta diretamente nos hotéis, restaurantes, comércio e atrações culturais. “Um evento como o Rock in Rio põe o Brasil na vitrine internacional e cria um motivo concreto para o estrangeiro viajar ao nosso país. Essa viagem não termina no portão do festival”, ressaltou o presidente da Embratur, Bruno Reis.
Um estudo da FGV, feito por encomenda para o Rock in Rio, ressalta o poder econômico do festival. O evento deve movimentar 3,3 bilhões de reais, um aumento de 5% em relação à edição passada. O cálculo envolve gastos com hospedagem, alimentação, transporte, turismo e outros serviços. Do total de 33 900 empregos gerados, a pesquisa também mostra que 22 800 são diretos e 11 100 indiretos. “É um festival com características turísticas, que movimenta a cidade como um todo, não só o entorno da Cidade do Rock”, destacou o diretor de relações institucionais do Rock in Rio, Gustavo Mostof.
Pesquisa divulgada pelo HotéisRIO – que representa os hotéis e meios de hospedagem na cidade –, divulgada na véspera do início do festival, apontou que a ocupação hoteleira para o período das duas semanas de show deve ultrapassar o nível de 70%. Na primeira semana— de 4 a 7 de setembro —, a média de quartos reservados na cidade está em 77,62%. Já na segunda seguinte — de 11 a 13 de setembro —, a média de ocupação no Rio está em 65,41%. “Sempre há quem deixe para fechar as reservas às vésperas”, comentou Alfredo Lopes, presidente do HotéisRio, apontando que os números podem aumentar. Para ele, o volume deve se aproximar dos da edição passada, em 2024, quando a ocupação hoteleira fechou com picos acima de 90%. Números que só reforçam a vocação turísticas do festival.
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