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Trump aplica uma rasteira em Bolsonaro e o joga no chão

Como fazer o dinheiro chegar a quem precisa

Por Ricardo Noblat
Atualizado em 30 jul 2020, 19h03 - Publicado em 2 abr 2020, 08h00

Adianta ter dinheiro para gastar? – queixou-se, ontem, o ministro Luiz Henrique Mandetta, da Saúde, em seu desabafo diário na sessão fim de tarde. Adianta fechar contratos de importação, fixar multa caso não sejam cumpridos, se alguém com muito dinheiro vai às compras e paga por elas o que lhe cobrarem?

O presidente Donald Trump, a quem Jair Bolsonaro imita e reverencia como ídolo, foi às compras, pagou mais caro e arrebatou tudo o que o governo brasileiro esperava receber da China em matéria de equipamentos essenciais para a proteção dos profissionais da saúde e o combate ao coronavírus.

Foi uma razia. Trump mandou 23 grandes aviões militares se entupirem na China de tudo que estivesse à venda. Mais de 240 mil americanos poderão ser mortos pelo vírus a se confirmarem as piores previsões. No momento, 187 mil estão infectados e há 4.600 mortos. Nos atentados de 11 de setembro, morreram 2.977.

Até a semana passada, Trump ainda se referia ao coronavírus como “uma gripezinha”. Entendeu por que Bolsonaro repetia gripezinha? Trump, depois, admitiu que o coronavírus seria um caso sério, como está vendo. Aqui, anteontem, Bolsonaro concedeu ao vírus a patente de “o maior desafio da nossa geração”.

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Os dois conversaram por telefone. Trump informou a Bolsonaro que “o Brasil está parando”. Nada que Bolsonaro não soubesse. Dizem assessores de Bolsonaro que ele ofereceu ajuda. A maior ajuda seria não ter comprado o que o Brasil já comprara. Mas América em primeiro lugar! E a situação está feia em todo canto.

Se morrerem apenas 110 mil americanos, o numero será maior do que a soma de todos os que morreram nas guerras da Coreia (40 mil), do Vietnam (58 mil) e do Iraque e Afeganistão (6,6 mil). O ano nos Estados Unidos é de eleição presidencial. Trump já teve a reeleição garantida. Agora teme o que possa acontecer.

Como Bolsonaro também teme – no seu caso, não a reeleição, mas a sorte do atual mandato. O número de brasileiros infectados é muito maior do que o reconhecido oficialmente – 6.836. O de mortos, idem – 241. O próprio Mandetta advertiu para o crescimento de tais cifras a partir de hoje.

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São Paulo e Rio de Janeiro estão no epicentro da pandemia. Nos dois Estados, 250 mortos esperam o resultado dos seus exames. Decepcionaram-se em poucas horas os que esperaram que a fala à Nação de anteontem significasse uma mudança de comportamento de Bolsonaro. Saíra de cena o radical. Entrara o moderado.

Qual o quê! Bolsonaro amanheceu postando nas redes sociais outra fakenews – desta vez o vídeo de um homem sobre desabastecimento em Belo Horizonte. Deu tempo para que seus devotos o copiassem e reproduzissem. Então apagou o vídeo e pediu desculpas. No fim da tarde, aprontou novamente.

Voltou a criticar os governadores que adotaram medidas restritivas em seus Estados, e defendeu que os mais necessitados fossem trabalhar para garantir o sustento. Não se sabe como o dinheiro prometido a essas pessoas pelo governo chegará às suas mãos. Por enquanto, nem o governo parece saber.

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E pensar que tudo só está começando, e começando mal desse jeito… A coincidência de epidemias (coronavírus, dengue, influenza  e bolsonarismo) ameaça fazer muito mal ao Brasil.

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