Receba 4 Revistas em casa por 32,90/mês
Imagem Blog

Noblat

Por Coluna Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Todo o mundo e ninguém (por José Paulo Cavalcanti Filho)

Velha Política

Por José Paulo Cavalcanti Filho 7 mar 2020, 11h00 | Atualizado em 30 jul 2020, 19h07

Em 1531, Gil Vicente escreveu Auto da Lusitânia. Encenado só no ano seguinte. Quando, na Europa, findou a Peste Negra – que mandou, aos céus, 25 milhões de almas. O que faz lembrar nosso Coronavírus. A história se repete, dando razão a Maquiavel (O Príncipe). Contra Marx (18 Brumário) e sua teoria de que só se reproduz como farsa. Penso nisso ao lembrar dois personagens dessa peça de teatro. Um é o rico Todo o Mundo. Que se apresenta dizendo: “Eu hei nome Todo o Mundo/ E meu tempo todo inteiro/ Sempre é buscar dinheiro/ E sempre nisto me fundo”. Enquanto seu contraponto é um pobre operário, Ninguém, que se anuncia: “Eu hei nome Ninguém/ E busco a consciência”. Donde “Todo o Mundo quer dinheiro” e “Ninguém quer trabalhar”.

No Brasil de hoje, imitando a trama desses personagens, há também dois grupos distintos. O primeiro está indignado com um Congresso que ainda pratica, descaradamente, a Velha Política. O toma lá, dá cá de antes. Especialmente depois que acabou a boquinha dos Ministérios reservados a financiar suas eleições (e não só para isso). Tanto que o fundo eleitoral proposto por Deputados e Senadores, para ficar em só um exemplo, foi de quase 4 bilhões. Quando o país que mais gasta, no financiamento público das campanhas eleitorais, é a França. Com 300 milhões. Achando pouco, agora pretendem o orçamento impositivo. Na tentativa de operar um parlamentarismo branco. Misturados, nesse bloco, desde quem quer só um país sem roubalheira, até os que prefeririam ver logo o Congresso fechado (um horror!).

O outro grupo insiste que tudo vai mal. Denuncia o fachismo, a censura, a falsa moral, e vê milicianos surgirem por toda parte. São os que desejam o impeachment do Presidente. E, agora, reagem contra as manifestações programadas. Como se o povo nas ruas, expressando sua opinião, pudesse ameaçar a Democracia. Sobretudo porque não é um protesto contra o Congresso, instituição. Mas, apenas, cobrando uma outra postura de Deputados e Senadores. Seja como for, não estamos bem.  Enquanto nosso país tiver só dois lados, o debate será sempre de baixa qualidade, estéril, pobre, sem sentido. A crise da razão é uma crise sem razão. Valendo, novamente, citar a farsa de Gil Vicente. Que conclui um debate, entre aqueles personagens, com a célebre frase: “Todo o Mundo é mentiroso e Ninguém diz a verdade”.

José Paulo Cavalcanti Filho.

jp@jpc.com.br

Publicidade
TAGS:

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

15 marcas que você confia. Uma assinatura que vale por todas.

OFERTA RELÂMPAGO

Digital Completo

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 29% OFF

Revista em Casa + Digital Completo

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 55,90/mês
A partir de R$ 39,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).