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Sinais para Moro e Bolsonaro: Xangô, orixá da Justiça, regerá 2020

Ano novinho

Por Vitor Hugo Soares
Atualizado em 30 jul 2020, 19h13 - Publicado em 4 jan 2020, 12h00

Estamos no ano novinho em folha, como se dizia quando calendários eram distribuídos nas farmácias e armazéns de secos e molhados, junto com os almanaques e o livrinho do Jeca Tatu, de Monteiro Lobato. Plagiando versos do frevo baiano, você queira ou não queira, nego, nega, 2020 chegou. Tambores nos terreiros e oráculos (menos Ciro Gomes, que segue prevendo, na BBC, a queda do chefe do governo antes do prazo constitucional) anunciam: tem nova divindade no comando do tempo e dos destinos. E quem regerá signos e caminhos dos 365 dias desta fase que se inicia é Xangô – que o sincretismo associa ora a São Jorge, santo guerreiro dos católicos, ora a São Sebastião, crivado de flechas – , orixá “do inesperado” cuja caracter í stica maior é a busca e cobrança incessante por justiça. Do ponto de vista da política e do poder, o ministro Sérgio Moro – gestor mais bem avaliado do governo, único brasileiro incluído entre as 50 Personalidades da Década, do jornal britânico Financial Times – não poderia esperar melhores indicativos para encarar os labirintos do ano iniciado quarta-feira.

Na Bahia, de onde escrevo, crentes e estudiosos acadêmicos dos cultos afro-brasileiros estão convencidos de que o regente do novo ano começou a mandar os seus acenos – não só para o ex-juiz da Lava Jato – antes mesmo dos primeiros fogos de artifícios e dos embalos da virada pelo País. Em Salvador, por exemplo, o presidente Jair Bolsonaro desembarcou, quase no fim de ano, com o propósito anunciado de passar 10 dias na praia de Inema, pescando no mar da Baía de Todos os Santos e de quase todos os pecados (segundo o saudoso cronista Nelson Gallo), mas retornou na manhã de terça-feira, à Brasília, para passar o réveillon ao lado da primeira dama, Michelle.

Isso horas depois de promover um auê no Farol da Barra, onde apareceu de surpresa em visita ao cartão postal do turismo e das manifestações políticas na capital baiana, com o sítio apinhado de soteropolitanos e visitantes nacionais e estrangeiros. Ali, sob radioso dia ensolarado de começo de verão, testou ao mesmo tempo – com reconhecido e documentado sucesso – sua proverbial coragem pessoal e sua controversa aceitação popular quanto ao desempenho político e administrativo, principalmente na região Nordeste. Cedinho, na manhã seguinte, debaixo de temporal que quase afoga a capital baiana, de forma tão inesperaa quanto a ida ao Farol, o presidente, pegou o avião, com a filha Laura, e voou de volta à Brasília pa ra a che gada do Ano Novo. Mais Xangô impossível. Até nos signos emitidos em dupla direção.

No caso do ministro Moro, quem sabe dos cultos da negritude – candomblé e umbanda, principalmente – está convencido de que o martelo do orixá do ano, também se movimentou antes do réveillon. Semana passada, direto de Toronto, no Canadá, o ministro da Justiça postou duas fotos ao lado de uma estátua de Winston Churchill. Na legenda da primeira imagem, o ex-juiz escreveu: “Tempo de renovar energias com exemplos do passado e de sempre”. Na legenda da segunda foto, citou uma frase referencial do histórico guerreiro premier britânico, pronunciada em legendário discurso na Câmara dos Comuns, em 4 de junho de 1940: & ldquo;We shall never surrender” (“Nós nunca nos renderemos”).

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Precisa desenhar? Puro Xangô!!! O resto 2020 dirá.

 

Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail: vitors.h@uol.com.br

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