Clique e Assine a partir de R$ 19,90/mês
Noblat Por Coluna O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Segurança Pública e Eleições

Intervenção dos militares na sociedade civil desperta sentimentos contraditórios

Por Murillo de Aragão Atualizado em 13 mar 2018, 18h00 - Publicado em 22 fev 2018, 16h00

Por que a intervenção federal na segurança pública no Rio de Janeiro gera confusão? São várias razões. Vamos a algumas delas. Parte das elites acadêmicas e midiáticas do país confundem autoridade com autoritarismo. Assim, uma intervenção dos militares na sociedade civil desperta sentimentos contraditórios que revelam a existência, ainda, de preconceito em relação às Forças Armadas. Alguns chegam a dizer que a intervenção deseja promover o genocídio de negros e pobres. Um completo despautério, já que são os negros e os pobres os que mais sofrem com a violência.

Outra camada de confusão decorre das narrativas políticas. A intervenção federal pode repercutir eleitoralmente, até mesmo pelo fato de o tema segurança pública ser imprescindível nos debates das campanhas. Assim, o eventual sucesso da iniciativa pode colocar o presidente Temer de forma positiva no processo eleitoral. Basta ganhar alguns pontos em sua aprovação pela população para o seu cacife aumentar, tanto para uma eventual candidatura à Presidência da República quanto para o apoio a algum candidato de seu interesse.

O tema tem outras intercessões. O governador de São Paulo, o presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB), tem tido um desempenho bastante razoável na segurança pública. Houve queda relevante, de quase 5%, no número de homicídios dolosos em 2017 em relação a 2016, número que vem caindo consistentemente desde 2001, início da série histórica. São Paulo tem hoje uma das menores médias de homicídio do país: oito a cada 100 mil habitantes no estado (no Rio de Janeiro são 30 a cada100 mil). Mesmo assim, a sensação de insegurança ainda é grande.

Portanto, deve-se concluir que o sucesso na intervenção pode ser benéfico para a imagem do governo. Mas apenas um sucesso mais do que retumbante teria o “efeito de Plano Real” na popularidade de Temer. Enquanto isso, Geraldo Alckmin, apesar da evolução positiva dos números em torno da questão da violência urbana, não consegue ganhar tração utilizando-se desse sucesso. Existe um enigma a ser decifrado: como fazer a melhoria da segurança pública influir eleitoralmente?

Tenho a certeza de que o diferencial – entre a percepção de sucesso ou de fracasso – será decidido pela capacidade da intervenção produzir resultados sem acidentes de percursos e da boa capacidade de comunicar os resultados.

Murillo de Aragão é cientista político 

Continua após a publicidade


Publicidade

Essa é uma matéria exclusiva para assinantes. Se já é assinante, entre aqui. Assine para ter acesso a esse e outros conteúdos de jornalismo de qualidade.

Essa é uma matéria fechada para assinantes e não identificamos permissão de acesso na sua conta. Para tentar entrar com outro usuário, clique aqui ou adquira uma assinatura na oferta abaixo

Informação de qualidade e confiável, a apenas um clique. Assine VEJA.

Impressa + Digital

Plano completo da VEJA! Acesso ilimitado aos conteúdos exclusivos em todos formatos: revista impressa, site com notícias 24h e revista digital no app, para celular e tablet.

Colunistas que refletem o jornalismo sério e de qualidade do time VEJA.

Receba semanalmente VEJA impressa mais Acesso imediato às edições digitais no App.

a partir de R$ 39,90/mês

Digital

Plano ilimitado para você que gosta de acompanhar diariamente os conteúdos exclusivos de VEJA no site, com notícias 24h e ter acesso a edição digital no app, para celular e tablet.

Colunistas que refletem o jornalismo sério e de qualidade do time VEJA.

Edições da Veja liberadas no App de maneira imediata.

a partir de R$ 19,90/mês