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Regina no “Fantástico”: A metamorfose da atriz (por Vitor Hugo Soares)

Uma mulher diferente

Por Vitor Hugo Soares
Atualizado em 30 jul 2020, 19h06 - Publicado em 14 mar 2020, 10h00

Na entrevista de Regina Duarte ao “Fantástico” domingo passado, na TV Globo, o primeiro impacto se estabeleceu logo na abertura, antes dela responder com um “sim”, puro e simples, se já se acostumou ao título, ao cargo. Na conversa com o repórter Ernesto Paglia, a nova Secretária Especial da Cultura – uma das maiores celebridades da televisão e das artes no Brasil – aparece em seu apartamento, despojada, sem nenhuma maquiagem no rosto. Exibe, sem disfarces, todas as marcas de uma pessoa comum de classe média, na faixa dos 70 anos intensamente vividos – em tempo bom e tempo ruim, – e que demonstra ter passado por metamorfose rápida e profunda em poucos dias.

A impressão para mim é de estar diante de uma mulher diferente, mas igualmente expressiva, a ex-artista agora encarregada de comandar a Cultura nacional, uma das áreas mais incendiárias e cheias de armadilhas na administração pública do País, em qualquer governo e em qualquer tempo. Em termos de jornalismo e dos signos da comunicação foi um golpe de mestra. Na largada, Regina passou o recado: não cobrem mais dela os traços e cacoetes de antes: de Malu – a revolucionária feminista dos loucos Anos 70; nem da “viúva Porcina”, de Roque Santeiro, a novela que marcou época e empolgou a nação. A estrela transforma-se, de repente, na conversa com Paglia, sem perder o pensamento solto e a língua afiada. Perguntada, por exemp lo, sobre o que tem feito ultimamente, ela respondeu no plur al, falando com sentido de equipe e como integrante de um projeto: “Estivemos ocupados com enormes dificuldades de toda uma facção que quer ocupar esse lugar. Quer que eu me demita, que eu me perca”. Bang!.

Desconheço quem seja, atualmente, o melhor marqueteiro político do Brasil. Mas, seja quem for não teria feito melhor que o responsável por assessorar a nova secretária de Cultura, em sua primeira entrevista depois da posse. É claro que o entrevistador também foi decisivo. Experiente e hábil – sem tornar-se o centro da conversa, sem arrogância e sem apontar o dedo na cara da convidada – Paglia soube encaixar com elegância e competência profissional, boas e relevantes perguntas, para obter respostas que renderam o eficiente e polêmico resultado que ainda ressoa nas redes sociais, nos mais diversos círculos da inteligência nacional e no centro do poder, em Brasília. Mesmo com a pandemia do Coronavírus ocupando, praticamente, todos os espaços do noticiário, incluindo o político, a for&cc edil;a do impacto da conversa na TV pode ser sintetizada em duas reações:

O general Luiz Eduardo Ramos, ministro da Secretaria de Governo, não gostou do que viu e ouviu, principalmente da referência da entrevistada, a atuação de “facções” dentro do governo. E fez reprimendas, via redes sociais: “Nosso governo tem um norte: a vontade da maioria de seu povo… São seus ministros e secretários que devem se moldar aos princípios publicamente defendidos pelo presidente da República”, postou o general no Twitter. Na ponta esquerda da corda, o produtor e cineasta Luiz Carlos Barreto aprovou e bateu palmas. Afirmou que, “dentro das circunstâncias, achei uma entrevista bastante boa. Regina fez acenos positivos no sentido da pacificação. Ela está consciente de que está se imolando numa fogueira perigosa”.

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Vitor Hugo Soares é jornalista, editor do site blog Bahia em Pauta. E-mail:vitors.h@uol.com.br

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