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Noblat Por Coluna O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Querida, encolhi o governo

É impressionante a velocidade com que vai se fechando o quebra-cabeças do inquérito dos Portos

Por Helena Chagas 7 jun 2018, 14h00

Dá para viver seis meses sem governo? Essa é a pergunta que muita gente vem se fazendo em Brasília, inclusive aquele pessoal que circula nos salões verdes e azuis do Congresso. A conversa começa em tom de brincadeira ou provocação, mas acaba em profunda preocupação. Ninguém dá mais um tostão furado pelo governo Temer, considerado um zumbi, mas o maior medo do establishment político é que ele acabe de se deteriorar antes do fim do mandato em curso, que só se encerra em 31 de dezembro.

O problema já não é mais tomar cafezinho frio no Planalto – isso acontece com todo mundo no final do mandato, num esvaziamento natural e progressivo do poder no presidencialismo. A situação agora é pior, e o risco muito maior.

Além da perda do apoio político e da impopularidade recorde, o presidente da República – que não foi eleito – está no alvo de uma pesada investigação, que se aprofunda a cada dia. Vai se fechando o cerco sobre um de seus mais próximos auxiliares, o coronel João Batista Lima, apontado como “faz-tudo”, testa de ferro, etc. E, nessa reta final de governo, os elementos dessa investigação estão sendo revelados, ou vazados, num ritmo galopante.

É impressionante a velocidade com que vai se fechando o quebra-cabeças do inquérito dos Portos, e todos os dias surge alguma coisa nova e espantosa: dinheiro mandado para o exteriror, supostas mesadas, propinas para terceirização de contratos vencidos pela empresa do amigo sem condições de executar a obra…

Michel Temer vai resistir? Na prática, com a proximidade das eleições, não haveria tempo hábil para que seja formulada, apresentada, discutida e votada uma terceira denúncia – que, desta vez, teria todas as chances de ser aprovada pelos deputados.

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Mas ninguém quer isso a esta altura, nem mesmo os que, mais do que tudo, desejam se livrar de Temer e mostrar ao país que o impeachment foi uma tremenda bola fora. Teme-se que o clima de instabilidade que cerca esses processos contamine todo o quadro, gerando insegurança e até tumulto às vésperas de uma eleição que, por si só, já é para lá de complicada. Melhor – e lógico – esperar a eleição. Mas será que vai dar?

O que pode acontecer até lá? Tão galopante quanto o avanço das investigações sobre Temer é o ritmo em que a autoridade do governo vai definhando. Isso ficou claro na greve dos caminhoneiros, que terminou com o Planalto de joelhos. Agora, o governo, de tão fraco, não consegue cumprir o que prometeu. A jurada e compromissada redução do preço do diesel nas bombas em R$ 0,46 não é mais para ser imediata. A nova tabela dos fretes, baixada na negociação para o fim da greve, pode ser revista porque os produtores rurais latiram mais alto.

Os caminhoneiros ameaçam retomar a paralisação. E se retomarem? Ou se, em vez deles, forem os produtores rurais? E se o movimento vier de outro setor? E os ônibus que estão sendo queimados pelo PCC em diversas capitais? E a intervenção no Rio, que até agora não controlou a situação, que pode piorar a qualquer momento? Se esses já são problemas e riscos grandes demais para governos fortes, imagine-se o que poderá acontecer com os mais débeis.

Em condições normais de temperatura e pressão, o não-governo Temer vai segurando a onda e entrega a chave do Planalto a um sucessor legitimamente eleito em 1 de janeiro de 2019. Mas, do jeito que ele vai ficando menor a cada dia, já chegou a um tamanho que dificilmente teria forças para encarar o imponderável nesses seis meses. E agora? Só rezando.

Helena Chagas é jornalista desde 1983. Exerceu funções de repórter, colunista e direção em O Globo, Estado de S.Paulo, SBT e TV Brasil. Foi ministra chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência (2011-2014). Hoje é consultora de comunicação 

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