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Por Coluna
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O ventríloquo da retratação

Ninguém é insubstituível, mas a troca de um ministro da Economia é sempre dramática

Por João Bosco Rabello
Atualizado em 30 jul 2020, 19h09 - Publicado em 20 fev 2020, 12h00

As declarações de apoio do presidente Jair Bolsonaro, e do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, ao ministro Paulo Guedes indicam que o desgaste do titular da Economia foi mais intenso do que a dissimulação possível.

Tudo indica que o próprio Guedes sentiu-se no limite da resistência com as reações à sua dispensável frase associando o câmbio ao passeio de empregadas domésticas à Disney. Pode não ter pedido para sair, mas deixou transparecer que a ideia passava pela sua cabeça.

A declaração presidencial foi muito mais em razão da indisposição de Guedes para uma nova e indispensável retratação pública (fizera uma dias antes) do que pela necessidade de demonstrar ao público externo que ele está prestigiado. Nunca deixou de estar pelas frases inadequadas. Ao mesmo tempo foi um “não desista, a vida é dura”.

Já a manifestação de Maia, sim, tem caráter e peso político, por reafirmá-lo como importante e legítimo interlocutor do Legislativo. Na sua fala, Maia atribui a Guedes – e à área econômica -, o exclusivo empenho político do governo pela aprovação das medidas de resgate da economia.

Ao ter essa iniciativa, o presidente da Câmara não só reafirma a importância do ministro da Economia para as reformas, como a confiança na sua continuidade, o que representa um aceno para dentro do Legislativo e, principalmente, acalma o mercado.

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Essas manifestações não foram produzidas a pedido, o que autoriza a ilação de que além da forte reação pública à sua fala, quem mais cobra pelo erro retórico a Guedes é o próprio Guedes. A dupla função de ministro e articulador político – esta, sublinhada por Maia -, custa caro, rouba a paciência e reduz a capacidade de autocrítica.

Na verdade, Guedes teve a retratação pela sua fala terceirizada no presidente da República. Bolsonaro foi explícito ao traduzir a fala como “erro pontual”, comum a todos, e que os resultados do ministro são maiores que “eventuais deslizes”. Com Guedes ao seu lado, o presidente funcionou como um ventríloquo.

Menos mal, porque ninguém é insubstituível, mas a troca de um ministro da Economia é sempre dramática pelos efeitos colaterais que produz, mais que em outras pastas.

No atual governo, se revestiria de maior gravidade, dado o superdimensionamento que a área econômica ganhou ao se materializar em um superministério resultante da fusão de antigas pastas – Fazenda, Planejamento, Indústria Comércio Exterior e Serviços, Previdência e Trabalho.

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Tal circunstância traduz o projeto de Guedes em uma experiência inédita, ousada e recente, o que além de trair seu esgotamento emocional, não admite recuos prematuros em um governo com apenas um ano de vida.

 

João Bosco Rebello é jornalista; https://capitalpolitico.com/

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