Clique e Assine a partir de R$ 19,90/mês
Noblat Por Coluna O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

“O povo está impaciente nas ruas”

MEMÓRIAS DO BLOG

Por Ricardo Noblat 19 Maio 2018, 12h00

Texto do dia 19/05/2005 

Do discurso pronunciado esta tarde pelo senador Cristovam Buarque (PT-DF):

“Este ano completamos 20 anos de democracia. Qual foi a resposta que demos ao povo para justificar a existência de uma democracia, além da necessária liberdade de que precisamos aqui?

A liberdade é uma condição fundamental à democracia, mas não é condição suficiente. Não adianta, nem sobrevive democracia que não for capaz de dar respostas aos problemas do povo. E não resiste democracia cujo governo não tiver a legitimidade de cumprir algumas condições.

A primeira condição é a de manter a economia funcionando. E o governo do Partido dos Trabalhadores, do meu Partido, a meu ver, com todas as dificuldades, está cumprindo esse lado.

Continua após a publicidade

A segunda, é cumprir as promessas assumidas na campanha. Aí cometemos algumas falhas: ou porque o Governo não as cumpre ou porque não explica por que não cumpre. O povo vai ficando impaciente diante de promessas não-cumpridas.

A terceira condição é a de fazer as reformas sociais que o nosso País precisa. Quando vemos problema arrebentando na Bolívia, no Equador, na Argentina há algum tempo, é preciso ouvir o aviso que vem das”calles” (ruas) desses países.

O aviso de que o povo não espera eternamente diante do show democrático dos políticos se não houver uma mudança concreta na realidade das condições de vida. E não estamos fazendo essas reformas.

O quarto é passar com clareza a idéia de que somos um governo honesto. A corrupção não apenas deteriora o governo, mas transforma a impaciência do povo em rebeldia, e a rebeldia, em revolução. E, às vezes, sem esperar, acordamos num clima de conturbação.

O slogan na Bolívia, no Equador e na Argentina era que se”vayan todos”, em espanhol. Ou seja, que não fique nenhum. Não faziam diferença entre situação e oposição.

Esse é um risco que podemos estar começando a viver. O povo está impaciente nas ruas. Para onde nós, líderes brasileiros, queremos levar este País? Onde queremos definir que esteja o Brasil em 2022 quando estivermos completando o segundo centenário da República?”

Continua após a publicidade

Publicidade