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O “efeito Lula” (Por João Bosco Rabello)

Admitir a máscara e correr atrás de vacinas, somente agora, indica que o foco continua na reeleição

Por João Bosco Rabello
12 mar 2021, 12h00

O governo perdeu a principal batalha de qualquer gestão no planeta em pandemia – a da vacinação contra a Covid 19. Mas passou o recibo só após o discurso de retorno do ex-presidente Lula à cena política, enfatizando a orientação médica.

E o governo amanheceu mascarado, inclusive o presidente da República, que vinha protagonizando dezenas de eventos públicos sem cumprir os protocolos de proteção, além de constranger interlocutores que usavam máscara no Planalto.

O presidente escolheu essa derrota, antecipada pela área médica e mais ainda pelos dois ministros da Saúde que antecederam o general Eduardo Pazuello no cargo.

O fez por temer o efeito econômico da pandemia sobre a reeleição, o que acentuou a paranoia de uma conspiração comunista internacional, esquecendo-se de que a tese não torna o vírus uma ficção.

Como negou o problema, negou as providências e não salvou nem a economia e nem o antídoto ao vírus. Ficou no meio do caminho, a eleger culpados e construir um discurso de conspiração entre o Judiciário e os governos estaduais.

É certo que as vacinas faltam em outras partes do mundo, mas poucas na escala do Brasil. Ao adequar-se ao discurso presidencial, ao contrário de seus antecessores, o general Pazuello errou na sua “especialidade” e desconsiderou uma das principais regras militares: a antecipação.

Mesmo o uso súbito da máscara não vai além da imagem. No mesmo dia da fotografia do governo mascarado, o filho do presidente, Eduardo Bolsonaro, sugeriu que todos as enfiassem no rabo. O que inclui, por lógica, os palacianos que a usam desde ontem.

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A máscara aqui é símbolo de todo um comportamento preventivo para evitar, ou atenuar, a disseminação do vírus e impedir o colapso hospitalar que, afinal, chegou. Mas a indiferença com a vacina é mais que isso, pois alcança a imunização.

Lula pode ter sido reabilitado politicamente, mas isso não o torna vitorioso, por si só. Com todos os “poréns” – e há muitos – da Lava Jato, o enredo de corrupção que envolveu o PT está na memória dos eleitores.

O que Bolsonaro perdeu foi a oportunidade de consolidar a derrota eleitoral que impôs ao principal adversário por trocar o exercício de governar pela continuidade da campanha.

Até a pauta de costumes, utilizada pelo PT para dividir o país entre “nós e eles”, foi mantida, com sinal trocado. Essa pauta é do debate parlamentar e não programa de governo.

Lula se mantém como forte ativo eleitoral pela ausência de governo efetivo durante o seu desterro político. O Judiciário pode tê-lo reabilitado politicamente, mas não eleitoralmente.

Esse último benefício quem lhe concede é Bolsonaro ao optar pela polarização ideológica, primeiro desconhecendo o Congresso Nacional e, depois, a ele recorrendo em sua defesa por meio de seu segmento mais fisiológico.

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Ao STF não cabe a responsabilização pelo ressurgimento eleitoral de Lula. Agora mesmo, Bolsonaro vive o dilema em curso na Corte: a reabilitação de Lula ou a condenação de Sérgio Moro, ambos desafetos políticos e eleitorais.

O primeiro, réu por corrupção e, o segundo, o juiz que o condenou e que não coube em um governo que renunciou à sua companhia quando se viu acusado de práticas pouco ortodoxas.

Admitir a máscara e correr atrás de vacinas, somente agora, indica que o foco continua na reeleição. O governo simplesmente passou a usar máscara e comprar vacina, sem qualquer menção ao comportamento anterior.

O que autoriza a leitura de que mudou de estratégia e não de convicção.

João Bosco Rabello escreve no https://capitalpolitico.com/

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