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Mozão, Maia e os generais

No Planalto de Bolsonaro os generais vão aumentando sua influência

Por Helena Chagas Atualizado em 30 jul 2020, 19h56 - Publicado em 28 fev 2019, 11h00

A Lei da Relatividade Política (LRP) é antiga, mais até do que a teoria de Einstein, mas está operando milagres no Brasil bolsonarista. Só mesmo recorrendo a seus dispositivos para explicar certos fenômenos da atualidade e entender o que se passa. Apenas a relatividade explica por que os militares se consolidam a cada dia como a parte mais sensata e equilibrada do governo – quase uns gênios, dizem alguns, se comparados a Damares Alves, Ernesto Araújo, Vélez Rodriguez e outros. Também passa por esse efeito a fulgurante ascensão de personagens que estavam no cenário há décadas, sem maiores brilhos ou atenções, como o vice Hamilton Mourão e o deputado Rodrigo Maia, por exemplo, hoje próceres da República.

Radical esbravejante de anteontem, alvo de punições militares nos governos petistas e autor de ideias como a de se elaborar uma nova Constituição sem o Congresso, o general Mourão vem se destacando pelas afirmações razoáveis, democráticas até, sobre os mais variados assuntos, do aborto à reforma da Previdência. Bem-humorado, afável com a imprensa e sempre disposto a atender quem o procura, Mourão ganhou dos jornalistas que cobrem o Planalto o apelido de “Mozão”. Virou um fofo, embora não se saiba se essa fofura toda vai durar se um dia ele assumir o poder – o que, no fundo, é projeto de todo vice e dele também.

Em terra de cego, quem tem um olho é rei, diz o velho ditado, que poderia perfeitamente se enquadrar como artigo da LRP. No  Planalto de Bolsonaro, os generais Augusto Heleno (GSI) e Santos Cruz (Secretaria de Governo), vão aumentando sua influência, adquirindo mais poderes e atuando no dia-a-dia palaciano como ponto de equilíbrio entre os colegas e o presidente.

Os generais tiveram papel fundamental esta semana, nas reuniões internas, para conter a loucura e evitar que a delicadíssima conversa de intervenção militar na Venezuela fosse adiante. Em outros tempos, e outros governos, haveria tremenda gritaria na mídia e entre políticos, denunciando interferência militar indevida no Itamaraty. Não desta vez. O chanceler Ernesto Araújo foi atropelado pelo Urutu, a condução da crise ficou em mãos militares e ninguém chiou.

Tome-se também como exemplo o papel central que Rodrigo Maia, presidente reeleito da Câmara há menos de um mês, passou a ocupar no cenário. Não se trata de um neófito, e sua estrela começou a subir já no governo Temer. Mas há alguns anos ninguém imaginaria vê-lo nessa posição de quase-estadista, oráculo das decisões do Legislativo, articulador-mor e senhor de vida ou morte do andamento da principal reforma do governo, a Previdência. No campo político governista, Maia não tem quem lhe faça sombra, embora venha atuando de forma independente, às vezes criticando abertamente a desarticulação política do Planalto.

Beneficiados pela Lei da Relatividade Política, são esses os personagens que atualmente dão as cartas na área política da república bolsonarista e se relacionam com outros núcleos, como a equipe econômica e a área de segurança comandada por Sérgio Moro. Seu poder é tal que já começa a se espalhar em Brasília a lenda de que Jair Bolsonaro estaria disposto a ser coadjuvante em seu próprio governo. 

 

Helena Chagas é jornalista 

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