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Mais quatro anos de caos tropical

Nestas eleições, ninguém vota a favor de coisa alguma.

Por Elton Simões
Atualizado em 30 jul 2020, 20h17 - Publicado em 1 out 2018, 14h02

Na política tropical, há dúvidas se informação é poder. Mas há certezas de que ignorância alheia traz o poder. Vivemos esta estranha situação na qual o desconhecimento das ideias do candidato é vantagem política. Aperfeiçoamos a arte de não aprender. Descobrimos que gritar é menos trabalhoso que ouvir.

Seria, claro, ideal que fossemos capazes de compreender uns aos outros em discórdia. Mas isso já é desejar o impossível. Infelizmente, a humanidade tropical parece ter sido concebida com excesso de voz e falta de ouvido. Por essa os gregos não esperavam quando imaginaram a democracia.

Já que falhamos em aumentar a estatura, decidimos abaixar o teto de nossas ambições. Já não votamos em ideias ou projetos. Aliás, nosso desinteresse em programas de governo é tão profundo que candidatos sequer perdem tempo em elabora-los.

Por isso, nestas eleições, ninguém vota a favor de coisa alguma. Estamos convencidos que votando contra algo é o mais importante. Democracia só tem sentido se o outro lado não ganhar.

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E assim fomos reduzindo a discussão a dois lados mutualmente excludentes. Ou somos contra o combate a corrupção ao qual atribuímos o nome de golpe, ou votamos contra a direita radical e populista. É muita simplificação para um país com tantas e complexas questões a resolver.

Não trocamos ideias. Comunicamos apenas com aqueles com os quais já estamos de acordo. Os outros devem estar errados, claro. Não aprendemos que simplesmente atacar e desconstruir candidatos leva a radicalização surda do processo democrático. E fundamentalmente erode a credibilidade daquele que ataca.

Melhor teria sido exigir dos candidatos respostas e soluções para os problemas de uma nação que se degrada a olhos vistos em ritmo acelerado. E, munidos destas ideias, critica-las ou aceita-las antes de comprometer o voto.

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Poderíamos até ter tentado conviver um pouco melhor com as diferenças. Se fizéssemos isso, talvez essas eleições não precisassem passar para a história como mais uma oportunidade perdida no ex-país-do-futuro.

Entre soltar presidiários, golpes, ele sim, ele não, e tudo o mais, perdemos de vista o fato de que em 90 dias, quem subir a rampa terá que governar a todos, inclusive aqueles que perderam. E, para isso, dialogo logo será necessário, mas, pelo visto, improvável.

Talvez devêssemos ter levado em consideração o impacto de nossas ações no futuro imediato. Sem reconciliação não haverá governo possível. E viveremos mais quatro anos de caos tropical. Um inferno encomendado, construído e previsível. Bastará um espelho para encontrar os culpados por tantas oportunidades desperdiçadas.

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Elton Simões mora no Canadá. É President and Chair of the Board do ADR Institute of BC; e Board Director no ADR Institute of Canada. É árbitro, mediador e diretor não-executivo, formado em direito e administração de empresas, com MBA no INSEAD e Mestrado em Resolução de Conflitos na University of Victoria. E-mail: esimoes@uvic.ca . 

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