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Por Coluna
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Governos em tempos sombrios (por Roberto Brant)

Os números da pandemia

Por Roberto Brant
Atualizado em 30 jul 2020, 18h48 - Publicado em 23 jul 2020, 11h00

Já citei aqui um antigo senador americano que dizia que todas as pessoas têm direito à própria opinião, mas não o direito aos próprios fatos. Repito a citação porque nos últimos tempos muita gente faz questão de ter os seus próprios fatos. Isto torna difícil o diálogo e a compreensão das coisas que acontecem.

Na ausência de consenso as grandes questões sociais não se resolvem e os governos não funcionam. O enfrentamento da pandemia é um bom exemplo da diferença que faz a capacidade de os governos alcançarem consensos mínimos diante dos grandes problemas.

No leste da Ásia o vírus chegou primeiro, e de surpresa, quando nada ainda se conhecia dos seus sintomas, de sua evolução e dos tratamentos possíveis. Em todos eles, começando pela China, mas em seguida também em países democráticos como a Coréia do Sul, o Japão, Cingapura e em Taiwan, o surto foi tratado como uma questão sanitária, não política.

Os governos conduziram a reação com base na evidência científica. Aplicaram medidas de isolamento e de distanciamento social, sem grande oposição dos interesses afetados e construíram, com rapidez, a infraestrutura de emergência necessária. O resultado é que em todos eles, com a cooperação da sociedade, a pandemia foi controlada com um número mínimo de mortes e as economias estão em recuperação.

Em alguns países da Europa e das Américas a história foi diferente. Na Itália, nos Estados Unidos e também no Brasil, a primeira reação dos governos foi negar a gravidade da doença, politizando uma questão sanitária.

Em seguida, foi alimentada uma resistência política às medidas de isolamento social, para poupar danos à economia e à popularidade dos governos. O vírus se viu finalmente livre para propagar-se e para matar, depois de sua derrota na Ásia.

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Os números da pandemia nesses dois grupos de países falam por si. Até agora na China, com mais de um bilhão de habitantes, o total de infectados é de 86 mil e de mortes, 4.624, conforme dados das autoridades chinesas. Se alguém quiser duvidar desses dados, pode olhar o que se passou com seus vizinhos.

No Japão os infectados somaram 23 mil e as mortes 982; na Coréia do Sul os infectados foram apenas 13 mil e as mortes 289. São países também populosos e com governos democráticos. A doença perdeu para a boa governança e a cooperação da sociedade.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, após meses de seu início, a pandemia continua devastadora. O total de infectados chega a 3,5 milhões e, de mortos, 136 mil. Na semana passada 75 mil novos casos eram registrados por dia, com a média de mil novos óbitos.

No Brasil, apesar de o governo federal negar continuadamente a gravidade do problema e de manter-se há dois meses sem ministro da Saúde, com o ministério entregue a uma maioria de amadores, os casos já ultrapassam os dois milhões e as mortes, 75 mil, com 44 mil novos casos a cada dia.

Com apenas 2,7% da população do mundo, o Brasil já acumula 14% dos casos da doença e 12% de todas as mortes registradas. O vírus é o mesmo, diferentes são os governos.

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É claro o que nos tornou diferentes, o Brasil e os Estados Unidos: a má qualidade da governança pública. Governos só conseguem cumprir sua função de governar com a cooperação da maioria da sociedade. Nenhum instrumento legal ou de força é capaz de substituir a concordância dos cidadãos. Os antigos regimes totalitários da Rússia e do leste europeu tinham à sua disposição o máximo da força e do terror, mas fracassaram em todos os campos.

Todos os governos, além dos votos nas urnas, precisam de concordâncias mínimas na sociedade. O lugar em que essas concordâncias podem existir não é no ar infeccionado das redes sociais. Consensos não se formam espontaneamente pois os grupos humanos que constituem uma nação podem ter visões e interesses diferentes. Controlar os maus instintos e conciliar as diferenças em benefício de propósitos comuns é a tarefa suprema dos grandes lideres e da grande política.

Quando os teremos entre nós?

 

 

Roberto Brant foi deputado federal constituinte por Minas Gerais, secretário de Fazenda no governo Hélio Garcia em Minas, ministro da Previdência e Assistência Social do governo de Fernando Henrique Cardoso. Preside atualmente o Instituto CNA. Escreve nos jornais Correio Braziliense e Estado de Minas. ⠀

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