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Covid: Gilmar alerta para o risco de o Exército associar-se a um genocídio

“É preciso pôr fim a isso”, disse o ministro

Por Ricardo Noblat 12 jul 2020, 07h30 | Atualizado em 30 jul 2020, 18h49
Covid: Gilmar alerta para o risco de o Exército associar-se a um genocídio Priorize VEJA no Google

Foi, de longe, a mais dura advertência feita por um ministro do Supremo Tribunal Federal ao governo e às Forças Armadas desde que o coronavírus se espalhou pelo país e colheu a primeira vida no final de março último. Atém ontem, a pandemia matou cerca de 71.500 pessoas e contaminou pouco mais de 1.840 mil.

Ao comentar o fato de um general (Eduardo Pazuello) estar como ministro interino da Saúde há mais de 25 dias, Gilmar disparou: “Isso é péssimo para a imagem das Forças Armadas. É preciso dizer isso de maneira muito clara: o Exército está se associando a esse genocídio, não é razoável. É preciso pôr fim a isso”.

Pazuelo substituiu o médico Nelson Teich que sucedeu o médico Luiz Mandetta. Teich não ficou no cargo sequer 30 dias. Largou-o para não ceder às pressões do presidente Jair Bolsonaro que queria que ele recomendasse o uso da cloroquina no tratamento da doença mesmo contra a opinião de médicos e de cientistas.

É a primeira vez desde 1953, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, que o Ministério da Saúde fica tanto tempo sem um titular. Naquele ano, Antônio Balbino comandou de agosto a dezembro a pasta interinamente, enquanto também era chefe do Ministério da Educação. As duas pastas haviam acabado de se separar.

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“Não podemos mais tolerar essa situação que se passa no Ministério da Saúde. Não é aceitável que se tenha esse vazio. Pode até se dizer: a estratégia é tirar o protagonismo do governo federal, é atribuir a responsabilidade a estados e municípios. Se for essa a intenção é preciso se fazer alguma coisa”, disse Gilmar.

Bolsonaro já quis nomear Pazuello ministro da Saúde. Os militares se opuseram – tanto os que ocupam cargos quanto os que comandam o Exército, Marinha e Aeronáutica. Pazzuelo é um general da ativa. Para não associar a imagem do Exército ao do governo, seus colegas cobram que ele passe antes para a reserva.

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Havia outro general da ativa ocupando cargo de ministro – Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria do Governo. Recentemente, sob a pressão dos seus colegas de farda, ele pediu sua passagem para a reserva. Como interno na Saúde, Pazuello tem se comportado até aqui como um dócil servidor do presidente da República.

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