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Noblat Por Coluna O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

À sombra de Pixuleco

MEMÓRIAS DO BLOG

Por Ricardo Noblat 7 set 2018, 12h00

Texto do dia 07/09/2015

Dos seus dois palácios, o Planalto, onde trabalha, e o Alvorada, onde mora, Dilma só sai para lugares a salvo de vaias e de manifestantes hostis.

Por isso, quem cuida de sua segurança fez de um pedaço da Esplanada dos Ministérios, em Brasília, um puxadinho do Planalto na tentativa de poupá-la, hoje, de constrangimentos durante o desfile militar de 7 de Setembro. Um puxadinho, não, um puxadão.

É de se ver: foram selecionados com rigor os convidados que ocuparão palanques a certa distância do palanque reservado às autoridades máximas da República.

Placas robustas de aço impedem o acesso do público à área do desfile das tropas.

O momento mais delicado será aquele quando Dilma atravessará em carro aberto um pedaço da pista. Aí reside o perigo de vaias.

Deu-se um jeito para isolar eventuais manifestantes dos palanques oficiais. Se tudo sair como o previsto, não haverá risco de Pixuleco roubar a festa.

Pixuleco é aquele boneco inflável gigante com a cara de Lula e a roupa de presidiário, a mais nova e bem-sucedida invenção dos que querem ver o ex-presidente na cadeia por envolvimento com a roubalheira na Petrobras – mas não só.

Pixuleco é o segundo alvo a inspirar cuidados à segurança de Dilma. O primeiro são os malucos que prometem atentar contra a vida dela.

Para Dilma e Lula, o impensável seria a presidente aparecer em alguma foto com Pixuleco, mesmo que longe dele.

Em São Paulo, outro dia, Pixuleco ganhou a companhia de uma Dilma tamanho gigante e também vestida como presidiária.

Infeliz do governante condenado a ser protegido dos seus governados.

No caso de Dilma, isso tem a ver com a crise econômica, sim, a mais severa dos últimos 12 anos de reinado do PT. Tem mais a ver, porém, com o tremendo engodo que foi sua campanha.

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A crise poderia ser suportável se Dilma não tivesse mentido tanto para se reeleger. E se não continuasse a mentir até hoje.

Dilma não tem gosto pela mentira. Se tivesse seria uma mentirosa contumaz. Ela apenas não tem compromisso com a verdade. Não é a mesma coisa, por suposto.

Aprendeu a mentir para sobreviver ao ser presa e torturada durante a ditadura militar de 64. Não desaprendeu mais.

Mentiu para não sair de onde está. Deu certo. Mente para tentar chegar ao fim do mandato. Está dando errado.

Quem ainda sustenta o governo?

O Bradesco, que sustenta seu ex-funcionário Joaquim Levy, Ministro da Fazenda; o PMDB de Michel Temer, Renan Calheiros e Eduardo Cunha, que leva jeito de que em breve deixará de sustentar; e a falta, por ora, de consenso político em torno da substituição de Dilma. Uma vez que o consenso seja alcançado, o resto será mais fácil.

Para salvar-se do mensalão, Lula entregou a cabeça de José Dirceu, chefe da Casa Civil do seu governo.

Dilma não quer entregar nenhuma cabeça para salvar a sua.

O PT quer a de Levy, com o qual não tem a menor afinidade. O PMDB quer a cabeça de Aloizio Mercadante, chefe da Casa Civil do governo, e responsável pelo distanciamento entre a presidente e seu vice.

A oposição quer a de Lula. Em troca dela, seria capaz de ajudar Dilma a governar se fosse o caso.

Ocorre que Dilma, para dizer o mínimo, é uma pessoa mentalmente confusa. Sua palavra vale pouco ou quase nada.

Pode ter sido uma boa tarefeira quando obedecia a ordens de Lula. Quando passou a ser obrigada a fazer escolhas e a dar ordens, é o que se vê.

Pena de nós.

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