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Noblat Por Coluna O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

A quem interessava a morte do miliciano que guardava segredos

Troca de tiros. Ou execução pura e simples

Por Ricardo Noblat Atualizado em 30 jul 2020, 19h10 - Publicado em 12 fev 2020, 08h00

Deixa ver se entendi. Setenta policiais do BOPE baiano, tropa de elite bem treinada, cercaram o miliciano Adriano Magalhães da Nóbrega num espaço de vaquejadas no município de Esplanada. Uma semana antes, ele escapara ao primeiro cerco na Costa do Sauípe. Ao escapar também do segundo, refugiou-se numa casa acanhada de um vereador do PSL a 8 quilômetros de distância.

A casa, abandonada, ficava numa área isolada. Sem vizinhos. Só com o descampado à vista. Um conhecido de Nóbrega deu o serviço à polícia e ela cercou o miliciano pela terceira vez. Ele estava sozinho, mas, segundo a Secretaria de Segurança Pública da Bahia, portava um fuzil e uma pistola, além de 13 celulares. Teria reagido à prisão disparando contra os policiais. Acabou morto.

A acreditar-se na versão oficial, Nóbrega chegou a ser levado ainda vivo para o hospital de Esplanada e, ali, morreu. Uma fonte da direção do hospital informou que ele chegou por lá já morto. Ao removê-lo do local onde teria se dado o tiroteio, a cena (ainda não chamemos “do crime”) foi alterada. Dela, além de mancha de sangue, deve ter ficado buracos de bala nas paredes.

Não se sabe ainda. Como não se sabe, três dias depois, se foram recolhidas capsulas das balas disparadas pelos policiais e por Nóbrega no ato de reagir à prisão. Seria melhor dizer: à execução. Porque se fosse para prendê-lo, um homem solitário em uma casa completamente isolada, os policiais poderiam ter agido de outra maneira. Poderiam tê-lo avisado sobre o cerco e esperar.

O que restaria a Nóbrega, cercado, apenas com um fuzil e uma pistola, a não ser se entregar? Salvo se preferisse morrer. Digamos que ele estivesse disposto a resistir e a disparar toda a munição que dispunha. Muito bem: depois da última bala, seria forçado a render-se. Mas, não. Os policiais invadiram a casa e o mataram. Nóbrega era caçado como alguém que tinha muito que contar.

Com ele, morreram os preciosos segredos que guardava. Segredos que lhe seriam úteis na hora de negociar uma delação em troca do prêmio de uma sentença menos dura. Quem ganhou com a sua morte? A quem interessava, de fato, que Nóbrega fosse morto? Só a polícia do Rio e o Ministério Público poderão responder. É de duvidar que respondam tão logo. Ou mesmo um dia.

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