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A morte do miliciano que ficou de fora da lista dos mais procurados

Para que suspeitas não manchem a reputação de inocentes

Por Ricardo Noblat
Atualizado em 30 jul 2020, 19h10 - Publicado em 10 fev 2020, 08h00

Se foi queima de arquivo ou se não foi, só o futuro dirá. Ou não dirá. Mas para que suspeitas não manchem a reputação de inocentes, ao governo federal deveria interessar que fossem logo esclarecidas as circunstâncias da morte, ontem, na Bahia, do ex-capitão do BOPE do Rio de Janeiro, Adriano Magalhães da Nóbrega, miliciano e um dos líderes do grupo de matadores de aluguel conhecido como “O Escritório do Crime”.

Em 2003, Adriano e Fabrício Queiroz, que trabalharam juntos no 18º Batalhão da Polícia Militar, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio, mataram Anderson Rosa de Souza durante uma ronda na Cidade de Deus. No mesmo ano, por iniciativa do então deputado estadual Flávio Bolsonaro, a Assembleia Legislativa do Rio aprovou uma moção de louvor a Adriano “pelos inestimáveis serviços” prestados por ele à PM.

Adriano foi condenado por homicídio em 2005. Dias depois, na Câmara, o deputado federal Jair Bolsonaro fez um longo discurso em sua defesa. E outra vez por iniciativa de Flávio, a Assembleia Legislativa do Rio concedeu a Adriano a Medalha Tiradentes, sua mais alta honraria. À época, já havia a suspeita de que Adriano tivesse ligações com milicianos. Sempre amigos, Adriano e Queiroz voltariam a se encontrar em 2018.

Por indicação de Bolsonaro, pai, Queiroz trabalhava como motorista e chefe de gabinete de Flávio na Assembleia. Ali, foram empregadas a mãe e a ex-mulher de Adriano. Há menos de um mês, as duas foram acusadas pelo Ministério Público de terem devolvido a Queiroz 203 mil reais, parte dos seus salários. Queiroz, Flávio e outros ex-servidores da Assembleia são investigados pelo que ficou conhecido como “o esquema da rachadinha”.

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Adriano estava desaparecido desde o ano passado. O BOPE da Bahia o localizou na chácara do vereador Gilson Lima, do PSL de Esplanada, município a 165 quilômetros de Salvador. Gilson é irmão do deputado estadual Alex Lima, ex-PTN, hoje filiado ao PSB. Os dois são irmãos de Rodrigo de Dedé, ex-prefeito de Esplanada, derrotada quando tentou se reeleger pelo PTN. Os Lima fizeram campanha para eleger Bolsonaro presidente.

A Secretaria de Segurança da Bahia informou que Adriano estava armado e resistiu à prisão. Paulo Emílio Catta Preta, advogado de Adriano, contou que a última vez que falou com ele por telefone foi na última terça-feira. Àquela altura, ele já era caçado pela polícia. E disse temer ser assassinado por “queima de arquivo”. A polícia baiana diz que Adriano chegou vivo ao hospital de Esplanada. A direção do hospital, que ele chegou morto.

Adriano havia ficado de fora da lista dos criminosos mais procurados do Brasil recentemente divulgada pelo Ministério da Justiça e da Segurança Pública. Talvez por falha dos que elaboraram a lista. Ou então por mero pressentimento – quem sabe ou um dia saberá?

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