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Noblat Por Coluna O primeiro blog brasileiro com notícias e comentários diários sobre o que acontece na política. No ar desde 2004. Por Ricardo Noblat. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

A identidade do país e do governo

É como se o país medisse um metro de altura e a administração bolsonariana apenas cinquenta centímetros

Por GAUDÊNCIO TORQUATO Atualizado em 30 jul 2020, 19h44 - Publicado em 12 Maio 2019, 12h00

A análise política trabalha com dois conceitos para interpretar fenômenos ligados à política, pessoas físicas ou jurídicas, políticos ou governos: identidade e imagem. O primeiro se refere à sua índole, seu caráter, programas e ações, o que verdadeiramente representam; a imagem é a projeção da identidade, significando a percepção que deles têm os cidadãos.

A identidade do Brasil abriga um conjunto de elementos, como tamanho do território, riquezas naturais, natureza da população, ciclos históricos, tradições e costumes, tudo que possa realçá-lo. Convido o leitor, nesse momento, a tentar construir em sua mente o mapa da identidade da Nação. Da mesma maneira, a imaginar a identidade de Estados e municípios onde moram. E fazer uma comparação com outros entes federativos. A seguir, faça a pergunta: o governo (federal ou estadual) corresponde à dimensão dos territórios que comandam?

Vejamos, por exemplo, o caso do governo Bolsonaro. Sem intenção de diminuir seu peso na análise política, cresce a percepção de que a identidade do governo é baixa em relação à altura do Brasil, como se o país medisse um metro de altura e a administração bolsonariana apenas cinquenta centímetros. Vê-se que falta muito governo para o tamanho do país.

Quais as causas? Entre outras, a guerra entre grupos, a ideologização e os conflitos, o despreparo de perfis, a extrema relevância que se dá ao guru da família e até mesmo o baixo nível na linguagem. Eis o que disse esta semana a ministra dos Direitos Humanos: “a Funai tem de ficar com mamãe Damares, não com papai Moro”. Foi assim que ela apelou para conservar a Fundação Nacional do Índio. Já o horoscopista elogiado pelo presidente e agraciado com o galardão do Itamaraty é o recordista das palavras chulas.

A liturgia do poder, que obriga participantes do governo a adotar posturas condizentes com o cargo, inclui o uso de expressão conveniente. Mas há uma “infantilização” da linguagem (Damares) e adjetivos sacados do pântano. O próprio Bolsonaro costuma baixar o nível em suas falas.

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A sensação de um governo menor deriva também do fato de se fazer trocas de áreas – Coaf e Funai em jogo, saída da política industrial da Economia para Ministério da Tecnologia, recriação de ministérios – apenas por conveniências políticas. Onde é que se evita o tal “toma lá dá cá”?

Percebe-se que não há critérios técnicos na administração. O improviso é alto. Há ilhas de qualidade, caso da equipe econômica de Paulo Guedes ou o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas. Mas o arquipélago governamental é povoado de perfis sem densidade ou experiência.

Qual é, afinal, a coluna vertebral do governo? O barulho maior se dá em torno da reforma da Previdência. Mas a questão fiscal-tributária assola os Estados e não há indícios de solução. A principal embaixada do Brasil no mundo, nos EUA, não tem o titular. O chanceler, despreparado, espera nomear um conselheiro seu amigo para o cargo. Outro improviso.

O “índice de coisas estabanadas” (chamemos de ICE) se expande e esfacela a identidade do governo. Não à toa, forma-se a ideia de que temos um governo menor que a grandeza do Brasil.

Gaudêncio Torquato é jornalista, professor titular da USP e consultor político

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