Virar o jogo, pipocar, amarelar: como o futebol invadiu nossa língua
Entenda como expressões do esporte invadiram o cotidiano e mudaram nossa comunicação
Fala, pessoas!
Nesta semana, com convocação da seleção, discussão sobre Neymar, expectativa de Copa e aquela avalanche de comentários nas redes, eu comecei a reparar numa coisa curiosa: o brasileiro fala futebol o tempo inteiro, mesmo quando não está falando de futebol.
E talvez você nunca tenha percebido isso.
A gente usa expressões do futebol para explicar trabalho, relacionamento, política, escola e até a vida!
Quer ver?
- “Fulano pipocou.” · “O chefe deu bola fora.” · “Ela driblou o problema.” · “O cara amarelou.” · “Precisamos virar o jogo.”
Tudo isso nasceu dentro do futebol, mas hoje faz parte da nossa comunicação do dia a dia, e é aí que a língua portuguesa fica interessante.
Quando uma palavra sai do sentido original e ganha outro significado dependendo do contexto, temos um fenômeno chamado linguagem figurada, mais especificamente, metáfora.
No futebol, “amarelar” é tomar cartão. Na vida, virou sinônimo de perder a coragem.
“Driblar” era um movimento em campo. Hoje, a gente dribla boleto, dribla problema, dribla situação constrangedora.
E talvez uma das mais famosas seja: “Virar o jogo”, porque nem precisa gostar de futebol para entender o que essa expressão significa.
O mais curioso é que o futebol influenciou tanto nossa cultura que acabou influenciando também a nossa língua.
Narradores ajudaram nisso, programas esportivos ajudaram nisso, memes ajudaram nisso.
E a Copa do Mundo potencializa tudo.
Do nada, todo mundo começa a falar: · “Agora é mata-mata.” · “Estamos na prorrogação.” · “Foi gol contra.” · “O time entrou retrancado.”
O futebol deixou de ser apenas esporte faz muito tempo, ele virou repertório cultural. E repertório cultural vira linguagem.
Por isso, entender língua portuguesa também é entender como as pessoas vivem, falam e se comunicam, porque a língua não nasce na gramática.
Ela nasce nas pessoas, e no Brasil nasce muito também no futebol.
Nos vemos na próxima coluna!
Até mais!
Professor Noslen Borges www.professornoslen.com.br
Revisão textual: Profª. Ma. Glaucia Dissenha







