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Na Ponta da Língua

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Para tirar dúvidas inquietantes, aprender dicas preciosas e curiosidades que ajudam a dominar o bom português

Neozelandês, tcheco e ganês: os gentílicos da Copa que o português explica

Entenda a origem de cada uma dessas expressões, as variantes aceitas e o que o português revela sobre esses países

Por Noslen Borges 18 jun 2026, 08h00
Neozelandês, tcheco e ganês: os gentílicos da Copa que o português explica Priorize VEJA no Google

Fala, pessoas!

A Copa do Mundo continua e com ela, mais uma rodada de gentílicos que merecem atenção. Na última coluna, falamos sobre sauditas, egípcios e cabo-verdianos. Hoje, trago três casos que voltaram ao noticiário e que escondem curiosidades linguísticas interessantes.

Quem nasce na Nova Zelândia é neozelandês e o nome carrega uma viagem até a Holanda

O gentílico é neozelandês (feminino: neozelandesa; plural: neozelandeses). A formação já entrega parte da história: neo vem do grego e significa “novo”. A segunda parte, zelandês, é uma referência à Zelândia, região dos Países Baixos, na Holanda.

Foi o navegador holandês Abel Tasman quem deu nome ao território, em 1642, batizando-o de Nova Zelândia em homenagem à sua terra natal. Séculos depois, o gentílico preserva essa memória: cada vez que alguém diz “sou neozelandês”, carrega, sem saber, um pedaço da história da navegação europeia.

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Uma curiosidade extra: em inglês, os neozelandeses são chamados informalmente de Kiwi, nome do pássaro símbolo do país. Na língua portuguesa, esse apelido é usado também, especialmente no contexto esportivo, mas o gentílico oficial continua sendo neozelandês.

Quem nasce na Tchéquia é tcheco, mas checo também está certo

Dois gentílicos válidos para o mesmo país: tcheco e checo. No feminino, tcheca ou checa. No Brasil, a forma com tch é mais frequente, provavelmente por influência da grafia do nome do país em português (Tchéquia) e do hábito de representar esse som inicial com o dígrafo.

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Já em Portugal, checo tende a ser mais comum. A diferença não é erro de nenhum dos lados: é variação legítima entre as normas do português brasileiro e do português europeu.

Vale lembrar que o país também é conhecido como República Tcheca, nome mais antigo e ainda amplamente usado, especialmente em contextos formais e esportivos. Tchéquia é a forma oficial adotada pelo próprio governo do país desde 2016, mas as duas convivem nos textos em português sem problemas.

Quem nasce em Gana é ganês

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O gentílico consagrado é ganês (plural: ganeses). A forma ganense existe e aparece em alguns registros, mas é menos comum e raramente aparece nos principais dicionários da língua.

Um detalhe de pronúncia que merece atenção: a tonicidade cai na última sílaba: ga-NÊS. O acento circunflexo no ê já sinaliza isso, mas na fala informal é comum ouvir variações. A forma padrão, tanto na escrita quanto na pronúncia, é ganês.

Língua e Copa: uma combinação que rende muito

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Três países, três histórias diferentes, três formas de como o português resolve o desafio de nomear quem vem de longe. Neozelandês guarda uma viagem até a Holanda do século XVII. Tcheco convive com checo sem que nenhum esteja errado. Ganês segue uma lógica de sufixo que o português usa há séculos.

A Copa do Mundo é, entre outras coisas, um lembrete de que a língua portuguesa tem resposta para quase tudo e que essas respostas costumam ser mais interessantes do que parecem à primeira vista.

Agora que você já sabe escrever os gentílicos corretamente, que tal aproveitar a Copa para explorar a história e a cultura dos países participantes? Você encontra tudo isso no meu projeto “Na Trilha dos Craques”: https://youtu.be/cpx0KODjIsE?si=sZq24IQqyBLb71mZ

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Nos vemos na próxima coluna!

Até mais!

Professor Noslen Borges

www.professornoslen.com.br

Revisão textual: Profª. Ma. Glaucia Dissenha

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