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Na Ponta da Língua

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Para tirar dúvidas inquietantes, aprender dicas preciosas e curiosidades que ajudam a dominar o bom português

Corpus Christi e outras expressões latinas que você usa sem perceber

O significado de 8 expressões latinas presentes no português atual e por que conhecer a origem das palavras transforma a forma como você escreve e fala

Por Noslen Borges 4 jun 2026, 10h00 | Atualizado em 5 jun 2026, 10h49
Corpus Christi e outras expressões latinas que você usa sem perceber Priorize VEJA no Google

Fala, pessoas!

Você já parou para pensar que, nesta semana de Corpus Christi, está repetindo uma expressão em latim toda vez que menciona o feriado?

Corpus Christi significa “Corpo de Cristo”. É latim puro e está na boca de todo mundo, no noticiário, no grupo da família, na justificativa do ponto eletrônico.

O latim morreu, essa é a versão oficial. Mas será que é isso mesmo? Essa história é mais interessante do que parece.

Como uma língua “morre”

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O latim não desapareceu de uma hora para outra. Com a queda do Império Romano, ele foi se transformando de região para região, até que os dialetos falados nas antigas províncias ficaram irreconhecíveis em relação à língua original. O latim evoluiu e se transformou.

Desses dialetos nasceram o português, o espanhol, o francês, o italiano e o romeno. Se você fala português, você usa uma versão atualizada dele.

O latim clássico também sobreviveu por outros caminhos: foi a língua da ciência e da diplomacia durante toda a Idade Média, é até hoje a língua oficial do Vaticano, e todo nome científico de espécie animal ou vegetal no planeta ainda é escrito em latim.

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O que morreu foi o latim como língua materna. O vocabulário, a estrutura, as expressões; esses continuam vivos, escondidos dentro do idioma que você fala todos os dias.

O feriado

Corpus Christi está no calendário brasileiro desde o século XIX. É feriado nacional. Move a economia, esvazia cidades, gera manchetes e a maioria das pessoas nunca soube o que o nome significa.

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Isso diz tudo sobre a nossa relação com o latim: usamos sem perceber que estamos usando.

E não é só no nome do feriado. É no vocabulário que consideramos “normal”, “técnico” ou “sofisticado”, sem saber que estamos, na prática, carregando uma língua com mais de dois mil anos de história.

8 expressões latinas que você usa (quase) todo dia

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Você não precisa ter estudado latim para reconhecê-las. Elas já fazem parte do seu vocabulário provavelmente desde sempre.

  1. Per capita: Significa “por cabeça”. Aparece em notícias de economia, saúde pública e educação toda semana e já foi absorvida completamente pelo português.
  2. Status quo: Literalmente, “o estado em que as coisas estão”. Virou jargão político e corporativo, qualquer telejornal usa ao menos uma vez por dia.
  3. In loco: Significa “no lugar”. Fiscalização in loco, vistoria in loco, inspeção in loco. Se você trabalha com gestão, saúde ou educação, já escreveu isso em algum relatório.
  4. A priori / a posteriori: “Antes de” e “depois de”. Nasceram na filosofia, passaram pelo direito e pela medicina e hoje já aparecem em conversas informais sem que ninguém estranhe.
  5. Grosso modo Literalmente “de modo grosseiro”, no sentido de aproximado, sem entrar em detalhes. “Grosso modo, funciona assim.” Quem nunca disse essa frase numa reunião?
  6. Ad hoc: Significa “para isso”, algo criado especificamente para uma situação, sem planejamento prévio. Reunião ad hoc, solução ad hoc, comitê ad hoc. O mundo corporativo ama essa expressão.
  7. Vice-versa: “A ordem invertida”. Tão incorporada ao português que já não parece estrangeira. Mas é latim clássico.
  8. Curriculum vitae: O famoso CV. Literalmente significa “percurso da vida”. Você envia um para cada processo seletivo e, agora que sabe o que significa, o nome faz muito mais sentido.
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Língua não é só gramática, é camada sobre camada de história

O português que você fala hoje é, grosso modo, latim reconfigurado. A estrutura, o vocabulário, a lógica das frases, tudo isso tem raízes diretas num idioma que o mundo oficial considera morto há mais de mil anos. Quando você diz “grosso modo” numa conversa ou assina um “curriculum vitae”, está usando o mesmo idioma que Júlio César usou para registrar suas conquistas militares.

Conhecer a origem das palavras é a diferença entre usar a língua por hábito e usá-la com consciência. Quem entende de onde vem uma expressão sabe quando usá-la, como usá-la e percebe quando ela está sendo usada de forma errada.

Gostou da coluna? Já envia pra quem diz que o latim “morreu”!

Nos vemos na próxima.

Professor Noslen Borges

www.professornoslen.com.br

Revisão textual: Profª. Ma. Glaucia Dissenha

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