Assine VEJA por R$2,00/semana
Imagem Blog

Mundo Agro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO

Por Marcos Fava Neves
De alimentos a energia renovável, análises sobre o agronegócio
Continua após publicidade

Da semente ao prato: a importância das cadeias produtivas no agro

Conceito define o caminho complexo de um produto até o consumidor final, gerando oportunidades e desenvolvimento ao longo do percurso

Por Marcos Fava Neves
Atualizado em 24 ago 2023, 16h00 - Publicado em 24 ago 2023, 15h14

Na primeira coluna Mundo Agro, nós entendemos o conceito de agronegócio, demonstrando o porquê o termo refere-se a algo maior do que a agricultura, já que engloba, além da atividade de produção primária, todos os setores que estão antes das fazendas e após as fazendas, bem como os facilitadores e prestadores de serviços. Existe outro conceito ou pilar fundamental a ser explicado para que, nos próximos textos, possamos seguir avançando com assuntos interessantes ao leitor; é o conceito de sistema ou cadeia agroindustrial (ou agroalimentar). Você sabe a diferença? O que é maior: o agro ou uma cadeia agroindustrial?

Enquanto o conceito agro nasce em 1957, com John Davis e Ray Goldberg (Harvard), o conceito de sistema agroindustrial nasce também com Goldberg, só que em 1968. O de cadeia agroindustrial (filiere agroalimentaire) vem da literatura francesa do final dos anos 70. Apesar de pequenas diferenças entre os dois, tratarei aqui como sinônimos. Ambos significam o fluxo de um produto, desde o setor de insumos, passando pelas fazendas, eventuais processos de industrialização e distribuição, até chegar ao consumidor final. Ou seja, toda vez que falarmos em cadeia ou sistema, temos que falar de um produto específico, tal como a cadeia do café, da laranja, da celulose, do fumo, do frango, da batata, da mandioca… Desde a semente até o consumidor!

Isso nos faz entender, portanto, que o agro é muito mais amplo do que uma cadeia agroindustrial, pois é a somatória de todas as cadeias que operam num país (ou região). As cadeias do feijão, da cana-de-açúcar, da mandioca, da soja, do peixe – entre outras – somadas, formam o agronegócio brasileiro. Com isso, podemos afirmar que o setor está associado a uma região, enquanto a cadeia está associada a um produto. Alguns exemplos para o entendimento: no agro, temos o agro mundial, agro do Brasil, agro argentino, agro de Goiás, agro do Sudeste, entre outros; e nas cadeias, a cadeia da cana, do algodão, do arroz e por aí vai.

Se o agro se limita a um país ou a uma região, uma cadeia pode extrapolar a fronteira geográfica. Um dos casos mais emblemáticos do Brasil é a cadeia do suco de laranja. Ela fascina por levar um produto perecível desde o interior de São Paulo até o gole de um polonês. De cada 10 copos de suco tomados pelos europeus, 9 vem do Brasil, que domina 80% do mercado mundial.

A cadeia começa na pesquisa para novas variedades de plantas (buscando, por exemplo, resistência a pragas, doenças, adaptações ao clima e estresse hídrico), passa pela a produção de mudas, defensivos, fertilizantes, máquinas, equipamentos, colhedoras, equipamentos de segurança – entre outros – chega as fazendas produtoras de laranja, e depois seguem para as indústrias que fazem o suco (e os outros subprodutos como óleos para aromas e o bagaço para alimentação animal) e, após isso, ocorre o transporte e distribuição até que o produto chegue ao consumidor final. Como mais de 90% do suco é exportado, o leitor está acostumado a ver, passando pelas nossas rodovias, os caminhões-tanque dedicados que levam suco até terminais no Porto de Santos, principalmente com as marcas da Citrosuco, Cutrale e Louis Dreyfus Company (LDC).

Continua após a publicidade

O suco é embarcado em navios-tanque específicos (são cerca de 15) que levam duas semanas até a Europa ou 35 dias até a China. Ao chegarem, desembarcam o suco em terminais, onde caminhões são carregados e trafegam pelas rodovias locais até chegarem aos engarrafadores, os quais diluem, embalam e vendem nos supermercados ou restaurantes com suas marcas ou com marcas dos próprios supermercados.

E este processo todo gera e distribui renda? A cadeia da laranja traz ao Brasil, dos consumidores de suco do planeta, cerca de R$ 10 bilhões por ano e, apenas com a colheita das frutas, são 50 mil pessoas envolvidas, recebendo anualmente cerca de R$ 1 bilhão em salários. Apesar de complexo, o caminho que se faz ao longo de uma cadeia produtiva gera oportunidades e desenvolvimento.

Marcos Fava Neves é professor Titular (em tempo parcial) das Faculdades de Administração da USP (Ribeirão Preto – SP) da FGV (São Paulo – SP) e fundador da Harven Agribusiness School (Ribeirão Preto – SP). É especialista em Planejamento Estratégico do Agronegócio. Confira textos e outros materiais em www.harvenschool.com e veja os vídeos no Youtube (Marcos Fava Neves).

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

O Brasil está mudando. O tempo todo.

Acompanhe por VEJA.

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou
Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Veja impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 39,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.