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Por Marcos Fava Neves
De alimentos a energia renovável, análises sobre o agronegócio
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A agregação de valor dos grãos na proteína animal

Parte importante dos grãos que produzimos são convertidos em produtos de origem animal

Por Marcos Fava Neves
19 out 2023, 17h11

Um dos pontos que eu mais admiro no agro é o trabalho integrado das cadeias de produção animal e vegetal. As cadeias de produção vegetal são aquelas relacionadas às plantas (soja, milho, arroz, feijão, frutas e outras) e as de produção animal, todas cujo produto advém da criação de animais (leite, ovo, queijo, carnes de frango, bovinos, suínos e outros). Essas cadeias se integram com aplicação de sistemas de produção sustentáveis e, ao mesmo tempo, rentáveis. É impossível falarmos das cadeias de proteína animal sem mencionarmos a produção vegetal.

O modelo do agro na produção sustentável de alimentos começa por safras produtivas de grãos, passa pelo processamento e chega até a alimentação do rebanho brasileiro, onde acontece a transformação da proteína vegetal em animal. Isso ocorre porque os principais componentes das rações são o milho (in natura, processado, seco ou úmido) e a soja, utilizada principalmente em forma de farelo. Juntos, esses dois ingredientes representam mais de 80% da composição das rações animais produzidas no Brasil. Costumo brincar que quando vemos um frango, um suíno, eles nada mais são do que “soja e milho andando”.

Hoje, olhando para o comércio global, o Brasil é (2023/24) o maior exportador de carne bovina com 2,9 milhões de toneladas (24,4% de participação, 1 em cada 4 bifes vendidos no mundo); o líder também no frango, com 5,0 milhões de t (35,7% do mercado); e estamos na terceira posição nos suínos com 1,5 milhão de t (14,4% do mercado), apenas atrás de União Europeia e Estados Unidos. A tendência é de crescimento contínuo em todas elas.

Para alimentar as mais de 5,6 bilhões de aves, 230 milhões de cabeças de gado e 45,6 milhões de suínos abatidos por ano no Brasil, o volume de grãos demandado impressiona. Tanto que dos 75,3 milhões de t de milho consumidos internamente em 2022/23, 62,8 milhões de t (83,4%) foram destinados a produção de rações; e dos 56,8 milhões de t consumidas de soja, 24,1 (42,4%) tiveram a alimentação animal como destino final. Esses percentuais são ainda maiores em outros países. Mesmo alocando grãos para proteína animal, o Brasil é o maior exportador global de soja (57,8% do mercado global) com 97 milhões de t; e o primeiro também no milho (30,4% do comércio) com 59 milhões de t em 2022/23. Isso significa que, além de fornecermos a proteína animal ao mundo, também vai a matéria-prima para que eles produzam suas próprias rações e alimentem seus rebanhos, além de outros usos e finalidades, é claro.

Para essa transformação em proteína animal, os grãos passam pelas etapas de 1) beneficiamento, onde vão ser tratados para terem sua qualidade preservada; e 2) processamento, onde processos físicos e químicos transformam o grão em um produto que terá melhor aproveitamento dentro do trato digestivo dos animais. Destinados às fábricas de rações, os grãos processados se juntam à macro e micronutrientes essenciais à alimentação animal e, assim, fornecem energia e vitalidade ao rebanho. Após isso, os processos naturais fazem sua parte dentro do organismo animal e o resultado é a qualidade das carnes brasileiras.

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Outro dado importante de ser mencionado é a participação das cadeias de proteína animal na geração de renda no campo. Segundo o Ministério da Agricultura, em 2023, o Valor Bruto da Produção (VBP) das cadeias da pecuária devem somar R$ 337,7 bilhões, sendo R$ 131,8 da bovina (carne), R$ 86,6 bilhões do frango (carne), e R$ 62,0 bilhões do leite. Suínos e ovos somam R$ 57,2 bilhões. Imaginem todo esse recurso movimentando a indústria de insumos, os investimentos locais, a criação e crescimento de negócios. Criam-se oportunidades para muitas pessoas, tanto que se estima que mais de 4 milhões de brasileiros estejam trabalhando nos elos primário (dentro da porteira) e na agroindústria da produção animal.

As cadeias de proteínas animais contribuem diretamente para desenvolvimento econômico e criação de oportunidades ao nosso país, além do combate à fome no mundo, pois representam maior agregação de valor em comparação à exportação do grão. Caso o Brasil não exportasse frangos e suínos e vendesse internacionalmente apenas o volume de grãos que eles comeram, o valor exportado cairia de US$ 13 bilhões para US$ 3 bilhões por ano. Temos que avançar cada vez mais nos grãos e principalmente nas carnes, oferecendo o que o mundo desejar comprar de forma competitiva.

 

Marcos Fava Neves é professor Titular (em tempo parcial) das Faculdades de Administração da USP (Ribeirão Preto – SP) da FGV (São Paulo – SP) e fundador da Harven Agribusiness School (Ribeirão Preto – SP). É especialista em Planejamento Estratégico do Agronegócio. Confira textos e outros materiais em harvenschool.com e veja os vídeos no Youtube (Marcos Fava Neves). Agradecimentos a Vinicius Cambauva.

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