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Tucker Carlson avança no racha com a direita e rompe com republicanos

Deveria ser bom para Donald Trump, pois o comentarista é um agente de forças malignas e antissemitas, mas a influência dele é enorme

Por Vilma Gryzinski 24 jun 2026, 07h13
Tucker Carlson avança no racha com a direita e rompe com republicanos Priorize VEJA no Google

“Estou fora. E se eu estou fora, acho que muita gente também vai estar”. Ao anunciar que estava rompendo com o Partido Republicano, Tucker Carlson falou com a segurança de quem tem uma audiência de espantosos 58 milhões de pessoas, turbinada em boa parte por causa da posição que ele assumiu em relação à guerra no Irã, atribuindo a impopular intervenção à influência de Israel sobre Donald Trump.

Culpar Israel por manipulações de bastidores é um clássico do antissemitismo, o terreno maligno no qual o ex-apresentador da Fox, infinitamente mais poderoso desde que deixou o canal de notícias, afunda cada vez mais. Mas o fato de que Trump realmente foi convencido pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de que valia a pena atacar o Irã para detonar seu programa nuclear bélico – provavelmente com o bônus de promover uma queda do regime teocrático – ajuda a insuflar o conspiracionismo mais abjeto.

É difícil entender, para quem vive fora dos Estados Unidos, a enorme capacidade de convencimento que Carlson tem. Chega a ser assustador. Ultimamente, ele deu de promover a religião muçulmana, numa guinada estarrecedora. No caso da intervenção no Irã, sua ideia de um Trump manipulado por forças alienígenas tem a “vantagem” de oferecer uma explicação para a mudança de posição do presidente americano, eleito sob a promessa de não fazer mais guerras em lugares distantes.

Se tivesse ido tudo bem nos objetivos declarados, as maluquices de Carlson e de outros nomes da direita anti-Israel, teriam muito menos repercussão. Como o regime não caiu nem fez grandes concessões no quesito nuclear, existe um público mais disposto a dar ouvidos a “explicações” que colocam o presidente americano na posição de fantoche manipulado pelos maquiavélicos israelenses – não muito diferentes, aliás, da argumentação da esquerda anti-Israel.

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“Como eu ou qualquer outro eleitor americano poderia apoiar um partido que não é leal aos Estados Unidos?”, provocou Carlson ao anunciar a ruptura com os republicanos.

Outra figura que fala ao mesmo público, a ex-deputada Marjorie Taylor-Greene, seguiu o exemplo de Carlson. “Muitos de nós estamos fartos e não apoiaremos um partido que trai seus eleitores e o país”, criticou.

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RUPTURA ESTRIDENTE

Embora ainda minoritária, existe uma ala de eleitores do Partido Republicano que desaprova a forma como Trump está conduzindo o conflito. Segundo a pesquisa mais recente, essa corrente é de 28%. A ampla maioria, de 71%, continua leal a Trump (no cômputo geral, a aprovação é de 34%, contra 65% de desaprovação, um dos motivos da pressa do presidente em dizer que houve um bom acordo com o Irã e dar a questão por encerrada).

A ruptura estridente entre Tucker Carlson e Donald Trump já havia explodido em abril. O presidente investiu pesado contra influenciadores como seu novo inimigo, Megyn Kelly, Candace Owen e Alexa Jones. Chamou-os de “burros”, “doidos” e “QI baixo”.

Mas o fato é que ele está excluindo deliberadamente Israel das tratativas para um acordo de paz. As palavras mais duras vieram de seu vice, JD Vance, que classificou Trump como o único aliado que restou a Israel e, como tal, deveria ser poupado.

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No momento, existe uma enorme pressão sobre Israel para encerrar a campanha contra o Hezbollah no Líbano – uma das exigências iranianas. A situação é surreal: a segurança da organização terrorista xiita está sendo defendida pelos americanos. Não é impossível que tudo acabe levando a um racha entre Estados Unidos e Israel.

Tucker Carlson e sua turma vão achar o máximo.

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